Durante o interrogatório, o coronel reafirmou sua inocência, negando veementemente qualquer intenção de ruptura institucional ou planejamento de ações violentas contra autoridades. Ele descreveu o encontro como um evento improvisado, onde a presença de militares ocorreu de forma espontânea, motivada pela coincidência de estarem na mesma localidade em Brasília. Correa Neto enfatizou que não houve organização prévia, e que o ambiente informava um clima de descontração, com pizzas e refrigerantes sendo servidos, o que tornaria implausível qualquer discussão de cunho conspiratório.
A defesa do coronel ainda abordou uma carta enviada por ele a um colega, que criticava o então comandante do Exército, general Freire Gomes, por sua falta de apoio ao movimento. Correa Neto esclareceu que a mensagem havia sido solicitada, e ele apenas fez o repasse de um documento que encontrara em um grupo de mensagens, sem intenção de engajar-se em atividades golpistas.
Além disso, o coronel foi questionado sobre mensagens trocadas com o tenente-coronel Mauro Cid, que continham expressões que poderiam ser interpretadas como um apelo à ação, dado o contexto político turbulento do país. Em defesa, Correa Neto se apresentou como um “militar alegre”, que aprecia a camaradagem, e alegou que suas palavras não deveriam ser interpretadas como um chamado sério para a intervenção militar, mas sim como um desabafo.
O caso envolve um grupo de nove militares e um policial federal, acusados de articular ações para implementar um golpe e influenciar o alto comando das Forças Armadas a se aliar ao plano. As audiências no STF seguem nesta segunda-feira, tratando das diversas dimensões de um conflito que não apenas abala as instituições, mas também levanta questões sobre a conduta de membros das Forças Armadas no cenário político brasileiro.