JUSTIÇA – Conselho Nacional de Justiça Afasta Juíza Gabriela Hardt por Dois Anos Após Polêmica Homologação de Acordo da Lava Jato com a Petrobras

Na última terça-feira, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tomou a decisão de afastar a juíza Gabriela Hardt por um período de dois anos. A magistrada, que ganhou notoriedade ao substituir o ex-juiz Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, foi alvo de um processo administrativo disciplinar em decorrência de sua atuação no caso da Operação Lava Jato. Sua condenação impõe uma pena de disponibilidade com vencimentos proporcionais, o que implica em uma redução em seu salário durante o afastamento.

A controvérsia gira em torno da homologação, feita por Hardt em 2019, de um acordo entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras. O acordo visava à devolução de cerca de R$ 2 bilhões que haviam sido desviados da estatal e estavam nos Estados Unidos. Os recursos seriam repassados a uma fundação de interesse social, cujos administradores tinham vínculos com a própria força-tarefa. Essa fundação ficou conhecida como Fundação Dallagnol, em referência ao ex-procurador Deltan Dallagnol, que liderava as investigações.

O plenário do CNJ votou sobre a punição de Hardt e, por maioria de votos, decidiu pela sua condenação. O relator da matéria, conselheiro Rodrigo Badaró, argumentou que a juíza falhou ao não adotar os cuidados mínimos na administração e autorização dos repasses financeiros.

O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, também se manifestou durante o julgamento, reconhecendo a importância do combate à corrupção promovido pela Lava Jato, mas enfatizando que “os fins não justificam os meios”. Ele alertou que a prática de irregularidades em nome de um objetivo maior não pode ser aceita e que a discussão não é sobre a corrupção que foi investigada, mas sobre a legalidade dos métodos utilizados.

A defesa da juíza, representada pela advogada Ana Luísa Vogado de Oliveira, argumentou que Hardt não cometeu nenhuma irregularidade, pois acreditava na legitimidade da assinatura do acordo por parte do Ministério Público Federal e da Petrobras. Ela defendeu que a juíza não buscou notoriedade e manteve uma postura de discreta atuação no seu papel jurisdicional, afirmando que eventuais erros devem ser corrigidos por meios adequados dentro do processo judicial.

O desdobramento desse caso, que ainda repercute no cenário jurídico e político do Brasil, levanta questões sobre a atuação do Poder Judiciário em casos de extrema complexidade e repercussão social, especialmente quando envolvem a luta contra a corrupção.

Sair da versão mobile