JUSTIÇA – Bolsonaro pede prorrogação da prisão domiciliar enquanto enfrenta investigação por posse de arma; ministro do STF deve decidir até quinta-feira.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ocupou o cargo entre 2020 e 2024, protocolou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prorrogar o prazo de sua prisão domiciliar, concedida em março deste ano. O requerimento foi apresentado na noite de terça-feira, 23, acompanhado de um laudo médico atualizado que indica a necessidade de cuidados contínuos devido à condição de saúde do ex-presidente. Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, apesar de Bolsonaro apresentar uma condição clínica estável, ele ainda demanda atenção especial.

O relatório médico revela que a estabilidade na saúde do ex-presidente resulta do controle clínico rigoroso e do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, não significando que suas patologias subjacentes estejam totalmente resolvidas. O ex-presidente está cumprindo uma pena de 27 anos e três meses de prisão em sua residência, localizada em um condomínio de Brasília, em decorrência de sua condenação no caso envolvendo a tentativa de golpe de Estado.

No final de março, Moraes acatou o pedido inicial da defesa, autorizando que Bolsonaro cumprisse sua pena em casa por um período de 90 dias, que se encerra nesta quinta-feira, 25. O ministro se baseou em laudos médicos que indicaram sequelas de uma pneumonia que resultou em uma internação de 14 dias.

Adicionalmente, a Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu uma arma de fogo, supostamente pertencente a Bolsonaro, durante uma blitz. O motorista que transportava a pistola, um servidor do Gabinete de Segurança Institucional, afirmou que a arma estava em reparo devido a problemas técnicos e seria devolvida ao ex-presidente no dia seguinte.

Agora, Moraes solicitou que a Procuradoria-Geral da República se pronuncie sobre a possível infração disciplinar de Bolsonaro ao guardar uma arma. De acordo com a Lei de Execução Penal, a posse indevida de um instrumento que possa causar danos físicos configura falta grave para sentenciados a pena privativa de liberdade.

Durante depoimento, Bolsonaro reconheceu a propriedade da pistola, defendendo que, ao estar com três mulheres em casa, não poderia permanecer desarmado. Seu advogado confirmou que a arma estava registrada e que a intenção não era desrespeitar qualquer norma legal, considerando o incidente de menor relevância penal. Ele expressou confiança na possibilidade de arquivamento do inquérito instaurado pela Polícia Civil.

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