JUSTIÇA – Aumenta em 44% o número de mortes por armas de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro em comparação ao mesmo período do ano anterior

Um Retrato Alarmante da Violência na Região Metropolitana do Rio de Janeiro

Entre 28 de outubro de 2022 e 28 de janeiro de 2023, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que abrange 22 municípios, registrou um alarmante total de 329 mortes por armas de fogo. O número representa um aumento significativo de 44,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando 228 pessoas perderam a vida devido à violência armada.

Este cenário sombrio começou a ser desenhado logo após uma megaoperação realizada pelo governo estadual. No dia 28 de outubro, aproximadamente 2.500 policiais foram mobilizados para cumprir 100 mandados de prisão em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho, especialmente na Zona Norte da capital carioca, incluindo os Complexos da Penha e do Alemão. A operação, no entanto, não parece ter trazido os resultados esperados em termos de redução das estatísticas de violência.

O aumento nas mortes não considera apenas indivíduos envolvidos em atividades criminosas ou procurados pela polícia; ele também inclui vítimas inocentes de todas as idades. O data mostra que quatro pessoas foram mortas por balas perdidas e 23 ficaram feridas, sendo que oito dessas vítimas eram pessoas atingidas em operações policiais.

Ademais, dados relacionados à letalidade policial acabam por alarmar ainda mais. Entre os dias mencionados, foram registrados 520 tiroteios, dos quais 200 (cerca de 38,4%) aconteceram durante ações policiais. Essas intervenções resultaram em 210 mortes, correspondendo a 68,8% do total de óbitos registrados nesse período, além de 125 feridos, que representam 56,8% dos casos.

A situação é ainda mais preocupante ao se observar que quase metade das mortes a tiros após a referida operação (47,7%) ocorreu em doze chacinas, das quais oito tiveram a participação direta da polícia. Desde o início do governo de Cláudio Castro, em agosto de 2020, cerca de 890 pessoas foram mortas em chacinas no estado, um dado que evidencia um padrão alarmante de violência.

Em resposta a esse cenário, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) está investigando as circunstâncias da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Informações sobre os avanços das investigações permanecem em sigilo, mas o Ministério Público já começou a ouvir diversas testemunhas, incluindo policiais e familiares das vítimas.

Tentativas de obter declarações da Secretaria de Segurança Pública do estado e da Polícia Civil sobre a eficácia da operação em reduzir o domínio das facções criminosas e as taxas de criminalidade foram infrutíferas. A falta de resposta das autoridades também se estendeu à Defensoria Pública e ao Conselho Nacional de Justiça, confirmando a complexidade e a gravidade da situação de segurança pública no Rio.

O espaço permanece aberto para que instituições e autoridades possam trazer esclarecimentos e propostas com vistas a um cenário menos violento e mais seguro para a população fluminense.

Sair da versão mobile