Os detalhes da tragédia são ainda mais chocantes. Ryan foi atingido por um projétil de calibre 12 enquanto brincava na rua próximo à sua casa, no Morro São Bento. A ação policial visava capturar dois adolescentes suspeitos que reagiram à abordagem, culminando em tiroteio que resultou na morte de Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17 anos, e ferimentos em outro menor, de 15 anos. Auxiliados por laudos periciais, as investigações revelaram que a bala que atingiu a criança havia ricocheteado antes de colidir com ele, o que levou o delegado a concluir pela ausência de previsibilidade da tragédia por parte do policial.
Apesar da decisão de não apresentar denúncias contra os policiais, a promotoria criminal reconheceu a necessidade de conduzir novas investigações. No Inquérito Policial Militar (IPM) aberto, surgiu a hipótese de crime doloso que envolvia a morte de Ryan, mas a apuração não avançou devido ao fato de a investigação ter sido interrompida pelo caráter da morte ser de um civil. O novo procedimento direcionado pelo MPSP visa garantir que todos os aspectos do caso sejam considerados e que eventuais responsabilidades sejam devidamente avaliadas.
A indignação da comunidade é palpável. A morte de Ryan não foi um evento isolado; seu pai, Leonel Andrade dos Santos, foi uma das 56 vítimas fatais em operações policiais na região, que ocorreram durante a Operação Verão, entre janeiro e abril de 2024. As circunstâncias que cercaram os eventos trágicos na região levantam questões sobre política de segurança pública e a eficácia das operações policiais em áreas densamente povoadas.
À medida que o novo procedimento avança, os moradores aguardam respostas e, principalmente, justiça. O caso de Ryan destaca não só a fragilidade da infância em áreas urbanas saturadas por violência, mas também a necessidade urgente de uma revisitação no modo como as forças de segurança atuam, visando garantir a proteção da vida civil em meio a operações que deveriam priorizar a segurança de todos.





