JUSTIÇA – “Anistia Internacional Repreende Absolvição de Policiais por Morte de Adolescente em Ação Policial Violenta na Cidade de Deus”

Na madrugada desta quinta-feira (12), a Anistia Internacional expressou sua indignação pela absolvição de dois policiais militares envolvidos na morte do adolescente Thiago Menezes Flausino, de apenas 13 anos. O crime, que chocou a comunidade da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, ocorreu em agosto de 2023. Os acusados, Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, integram o Batalhão de Choque e foram exonerados por um júri popular, uma decisão que provoca debates acalorados sobre a segurança pública no Brasil.

A nota emitida pela organização de defesa dos direitos humanos critica a abordagem do julgamento, que desviou do foco principal sobre a conduta dos policiais e, em vez disso, tentou criminalizar a vítima. “Em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve tentativas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução”, argumenta a Anistia Internacional. Essa retórica, segundo a organização, perpetua a violência e nega à vítima o direito à memória e dignidade.

O adolescente Thiago estava na garupa de uma moto pilotada por Marcos Vinicius de Sousa Queiroz quando ambos foram alvejados por tiros de fuzil disparados pelos policiais. Enquanto Marcos, que sobreviveu ao ataque, declarou em seu depoimento que ambos não estavam armados nem tinham ligação com atividades criminosas, a narrativa que permeou o tribunal foi marcada por uma tentativa de desacreditar a trajetória do menino, que não tinha antecedentes e frequentava a escola com mais de 90% de presença.

A Anistia Internacional ressaltou que a história de Thiago representa um padrão alarmante de violência que atinge desproporcionalmente crianças e jovens negros no Brasil, em um contexto de políticas de segurança pública que se caracterizam por práticas violentas e por vezes racistas. “É urgente interromper a lógica de militarização e a narrativa de ‘guerra às drogas’”, enfatiza a organização, que também clama pela responsabilização de agentes do Estado envolvidos em operações letais.

O julgamento, que se arrastou por dois dias, foi marcado por debates acalorados, com a defesa dos policiais alegando que reagiram a um ataque. Contudo, a realidade enfrentada pela família de Thiago e a ampla mobilização social em sua memória refletem uma demanda por justiça que vai além das quatro linhas de um tribunal. A dor e a luta das mães de vítimas da violência policial continuam sendo um tema central nesse diálogo, destacando a importância da justiça e da dignidade para os que perderam seus filhos em circunstâncias trágicas e muitas vezes evitáveis.

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