Além de ter registrado que 7,8% dos casos mostraram sinais de obstrução deliberada das gravações, as análises preliminares revelaram que, em 82% dos registros, os equipamentos foram utilizados de maneira adequada. Essa investigação é parte do trabalho do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), que até o momento já ouviu mais de 200 policiais envolvidos em confrontos armados, ajudando a detalhar as circunstâncias da ação que resultou na morte de mais de 120 pessoas, incluindo cinco policiais.
A Operação Contenção foi desencadeada contra o Comando Vermelho e levantou uma onda de preocupações relacionadas à legalidade e ao uso ético da força policial. Em abril, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de 90 dias para a Polícia Federal (PF) periciar as gravações das câmeras utilizadas pelos policiais durante a operação, um movimento que reflete a crescente demanda por transparência e responsabilidade.
Até agora, o MPRJ apresentou oito denúncias contra 27 policiais militares por diversas ilegalidades, que vão desde apropriação de armamento até invasões de residências e tentativas de desativação de câmeras corporais. Já foram iniciados depoimentos de alguns dos detidos para tentar capturar uma perspectiva diferente dos acontecimentos, reforçando a busca por uma compreensão mais ampla.
O MPRJ não apenas se dedicou a investigar as ações realizadas, mas também iniciou uma busca ativa por familiares das vítimas, visando garantir que tenham acesso a informações sobre as investigações. Em um esforço para prevenir futuras tragédias, foram emitidas recomendações aos secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar para que um Protocolo Conjunto de Atuação seja estabelecido, com o objetivo de reduzir os riscos e a letalidade nas operações policiais e aprimorar o uso das câmeras incorporadas às atividades do Bope.
Essas ações estão alinhadas com a necessidade urgente de aumentar a responsabilidade nas operações policiais e proteger os direitos das comunidades afetadas, além de garantir que as lições da Operação Contenção não sejam ignoradas no futuro.




