JUSTIÇA – AGU Defende Inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria e Pede Manutenção de Suspensão em Condenações por Atos Golpistas de 8 de Janeiro

No dia 19 de setembro, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou um parecer que questiona a constitucionalidade da chamada Lei da Dosimetria, norma que permite a redução das penas de réus envolvidos em atos golpistas, incluindo figuras políticas como o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pronunciamento ocorreu por meio de uma manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o órgão também recomendou a manutenção da suspensão da aplicação da lei, até que a mais alta corte do país tome uma decisão definitiva sobre o tema.

Este parecer foi requisitado pelo ministro Alexandre de Moraes, que já havia decidido suspender a aplicação da lei até que a Corte se pronuncie sobre sua constitucionalidade. A AGU argumentou que a promulgação da Lei da Dosimetria pelo Congresso representa um retrocesso significativo nas instituições brasileiras, especialmente em tempos em que a defesa da democracia é crucial.

A posição da AGU enfatizou que a resposta a ataques contra o Estado democrático deve ser rigorosa, considerando a gravidade dos atos cometidos. A advocacia opinou que o texto da Lei nº 15.402/2026 apresenta diversas incompatibilidades substanciais com a Constituição Federal. O órgão ressaltou que, enquanto a Constituição original buscava estabelecer limites e salvaguardas para proteger a democracia, a nova lei parece oferecer benefícios àqueles que tentaram subverter esse sistema.

Além disso, pelo menos três ações diretas de inconstitucionalidade já foram protocoladas no STF, contestando a decisão do Congresso que, no mês anterior, decidiu derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei que institui a dosimetria. As ações foram apresentadas por federações de partidos como o PSOL-Rede, PT, PCdoB e PV, além da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Com o cenário atual, a expectativa é que o plenário do STF se debruce sobre essas questões ainda neste mês, em um contexto onde a discussão sobre a proteção dos princípios democráticos permanece em evidência. A repercussão do caso, aliado ao histórico recente de tensões políticas, faz desse tema um dos mais relevantes na agenda pública contemporânea.

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