Julgamento histórico reabre feridas ao investigar desaparecimento de Davi da Silva; quatro policiais respondem por tortura e homicídio qualificado após quase uma década.

No início da noite desta segunda-feira (04), foi encerrado o primeiro dia do julgamento sobre o desaparecimento de Davi da Silva, ocorrido em 2014. O evento aconteceu no Fórum do Barro Duro e, para evitar que a sessão se estendesse até a madrugada, o juiz decidiu suspender os trabalhos, considerando o tempo necessário para o jantar e os possíveis debates entre defesa e acusação. A continuidade do julgamento está agendada para as 8h desta terça-feira (05).

Em posição vulnerável no banco dos réus, três policiais militares e uma ex-PM enfrentam graves acusações que incluem tortura, sequestro, cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Os réus são: Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos. Antes do início da sessão, a defesa reafirmou a inocência dos acusados, negando qualquer envolvimento no desaparecimento do jovem.

O dia de audiência foi marcado por um série de depoimentos, que incluiu os quatro réus e duas testemunhas de acusação. Um dos relatos mais impactantes foi o de Ana Paula, irmã de Davi, que busca por respostas sobre o irmão há mais de uma década. Embora a procura por justiça seja um peso constante em sua vida, o desejo de encontrar pistas sobre o paradeiro de Davi ainda é uma chama que arde em seu coração.

Particularmente comovente foi a exibição do depoimento em vídeo de Raniel Victor Oliveira da Silva, primo de consideração de Davi, que era uma testemunha crucial do caso e acabou falecendo. Ele estava presente no momento da abordagem policial que desencadeou toda a investigação e era considerado a principal testemunha ocular da situação.

A expectativa é de que o julgamento seja concluído nesta terça-feira, após a fase de debates entre o Ministério Público e os advogados de defesa. O caso, que remonta a agosto de 2014, ganhou notoriedade e relevância social, especialmente no bairro Benedito Bentes, em Maceió, onde Davi da Silva desapareceu após ser abordado por uma guarnição da Polícia Militar. Portando uma pequena quantidade de entorpecentes na ocasião, Davi foi levado em uma viatura e desde então não foi mais visto, à medida que sua família e entidades de direitos humanos continuam a lutar por justiça e respostas. O desfecho deste julgamento promete selar uma década de angústia e espera pela verdade.

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