Um dos momentos aguardados do dia foi o depoimento de Kaylane Pereira, filha de Natasha, ex-companheira de Jairo. Agora maior de idade, Kaylane fez sua primeira declaração pública sobre alegadas agressões sofridas nas mãos de seu padrasto, quando tinha apenas cinco anos. A acusação que pesa sobre Jairinho, conforme denúncia do Ministério Público de 2021, é de tortura, onde ele supostamente se valia de métodos cruéis, como socos, chutes e até afogamento, visando torturar a criança.
A tensão do julgamento aumentou após um dia marcado por intensos conflitos entre a acusação e a defesa. No terceiro dia, o psiquiatra Rafael Bernardon analisou o comportamento de Jairinho e expressou uma percepção preocupante sobre a satisfação do réu em causar sofrimento a crianças. Essa declaração gerou revolta entre os defensores, que criticaram a participação do especialista, ressaltando que ele não entrevistou Jairinho e que tal análise não deveria ser feita em relação a alguém que não foi examinado pessoalmente.
Na quarta-feira, o depoimento da médica Maria Cristina Souza Azevedo, que atendeu Henry no Hospital Barra D’Or na noite da tragédia, trouxe mais detalhes chocantes. Ela descreveu como o menino chegou em estado crítico, apresentando várias marcas pelo corpo, e que tentativas de reanimação se estenderam por aproximadamente duas horas. O momento foi especialmente doloroso para Monique, que, em um gesto de desespero, não conteve as lágrimas ao assistir a um vídeo tocante de Henry dançando na casa de seu pai, Leniel Borel, na véspera de sua morte.
O julgamento, que ocorre no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio de Janeiro, continua a atrair atenção e repercussão, já acumulando mais de 30 horas de diligências ao longo dos três primeiros dias de sessões, revelando uma trama complexa e trágica que chocou a sociedade brasileira.





