Juíza denuncia “perseguição” e aciona CNJ após afastamento por “viés de gênero” em Goiás, onde colegas se manifestam em apoio, mas temem retaliação.

A juíza Danila Cláudia Le Sueur Ramaldes, que estava atuando na Vara Única da Comarca de Bela Vista, Goiás, foi afastada preventivamente e decidiu acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado. A magistrada alega que a medida se fundamenta em uma “investigação administrativa abusiva”, que estaria permeada por um “viés de gênero”.

De acordo com Danila, sua situação é resultado de ações articuladas por políticos que discordaram de suas decisões na seção em que atuava. A abertura das sindicâncias pela Corregedoria se baseou em categorias como “ambiência institucional”, “falta de urbanidade” e “postura hostil”, quesitos que, segundo a magistrada, não têm fundamento substancial.

Nos bastidores do Judiciário goiano, a situação gerou um forte descontentamento entre seus colegas, especialmente juízes e desembargadores ligados à Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego). Estes se manifestaram contra a medida de afastamento ao mesmo tempo em que preferiram não tornar suas posições públicas, temendo represálias da cúpula do Tribunal de Justiça do Estado.

O advogado de Danila, Alexandre Lourenço, contesta a legalidade do processo disciplinar, apontando a ausência de acusações de crimes graves, como corrupção ou fraude. Lourenço argumenta que a investigação estaria sendo utilizada como uma ferramenta política, visando rever decisões da juíza a partir de narrativas de indivíduos insatisfeitos com sua atuação.

Além disso, no documento enviado ao CNJ, a defesa solicita uma ação urgente para suspender os procedimentos administrativos, apontando que a juíza está sendo alvo de um “regime disciplinar paralelo”. O advogado enfatiza que essa situação é emblemática de machismo institucional, pedindo que a análise do caso seja realizada dentro de diretrizes que considerem a perspectiva de gênero. Assim, a defesa almeja evitar que avaliações sobre a gestão da juíza sejam influenciadas por preconceitos históricos que afetam o reconhecimento do poder feminino em função de sua posição de autoridade.

Procurada, a Corregedoria informou que o processo está sob sigilo, acrescentando que não pode se pronunciar sobre o caso em questão. O desfecho dessa situação, que envolve temas sensíveis como ética, política e gênero no ambiente jurídico, ainda promete desdobramentos relevantes para a justiça goiana e para a discussão mais ampla sobre a atuação feminina nesse contexto.

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