Durante a audiência, o magistrado observou que, apesar da idosa não conseguir lembrar sua própria idade, sua presença era repleta de experiências que ultrapassavam qualquer documento oficial. Ele descreveu a mulher com uma vivacidade que poderia ser percebida por meio de seus gestos, de sua maneira de falar, de sua aparência e das convicções firmes que expressava. Essas características revelavam uma trajetória dedicada ao trabalho no campo, o que destacou a essência de uma vida marcada por desafios e superações.
Kleiton Ferreira salientou que a narrativa da idosa ilustrava de forma clara o que ele considera ser “coisas que documento nenhum pode comprovar”. O juiz fez questão de ressaltar que, segundo as evidências apresentadas durante a audiência, ela se enquadra na categoria de segurada especial. Este status permite que mulheres trabalhadoras rurais possam se aposentar aos 55 anos, mesmo sem contribuições regulares ao sistema previdenciário, uma questão que toca profundamente a realidade de muitas mulheres que passaram uma vida inteira dedicadas ao cultivo da terra.
Outro momento que também gerou atenção entre os internautas foi quando a idosa revelou que havia se curado de uma mordida de cobra. Essa declaração não apenas intrigou, mas também trouxe à tona a resiliência e a força da mulher rural, que enfrenta perigos naturais em seu cotidiano.
Ao compartilhar essa história, o juiz Kleiton Ferreira não apenas trouxe à luz a vida de uma mulher que representa muitas outras, mas também estimulou uma reflexão sobre a necessidade de políticas públicas que reconheçam e valorizem a contribuição das trabalhadoras rurais. A repercussão deste relato ressalta a importância de histórias humanas no contexto judicial, mostrando que, muitas vezes, o que realmente importa vai além dos documentos e das formalidades legais.
