Juiz provoca polêmica ao comentar traje de advogado em homenagem à data que marcou início da ditadura militar no Brasil. Investigação é solicitada.

Em uma recente sessão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba, um episódio inusitado chamou a atenção de todos os presentes. O juiz Marcos Salles fez um comentário polêmico ao cumprimentar o advogado Abrãao Beltrão, que estava vestido com um terno verde-oliva e posicionado próximo à bandeira do Brasil. O magistrado fez uma observação que rapidamente repercutiu tanto no ambiente judicial quanto fora dele: “É interessante notar que o advogado utiliza um paletó e uma gravata verde-oliva, talvez fazendo referência ao 31 de março”, referindo-se à data que marca o início da ditadura militar no país.

O tom da fala do juiz levantou perplexidade e descontentamento. O advogado, por sua vez, limitou-se a sorrir sem responder. Esse tipo de manifestação em um contexto jurídico é considerado delicado, especialmente quando toca em um período tão controverso e doloroso da história brasileira. A data lembrada, 31 de março, é uma verdadeira ferida aberta para muitos segmentos da sociedade, que ainda lutam por justiça e reconhecimento pelos horrores vividos durante a ditadura.

Em resposta a esse comentário, que pode ser entendido como uma insinuação política, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) decidiu tomar uma postura formal. O órgão, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entrou em contato com o Tribunal de Justiça da Paraíba e com a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional da Paraíba (OAB-PB), solicitando uma investigação sobre o episódio.

Esse incidente não apenas evidencia as tensões políticas que permeiam o ambiente judicial, mas também levanta questões sobre a neutralidade e a responsabilidade de juízes e advogados em contextos que possam reaquecer debates sobre direitos humanos e a memória histórica do país. O incidente ainda está sendo avaliado, mas certamente gera discussões importantes sobre a ética profissional e o respeito às memórias coletivas de um povo que ainda busca sanar as feridas do passado.

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