Juiz americano anula cancelamento de visto de cientista da Harvard acusado de contrabando de embriões de rãs e critica ações da Alfândega e Proteção de Fronteiras.

Na terça-feira, um juiz de um tribunal dos Estados Unidos proferiu uma decisão significativa sobre o cancelamento indevido do visto de Kseniia Petrova, uma cientista de origem russa associada à Universidade de Harvard. A profissional foi acusada de contrabando de embriões de rãs ao retornar de uma viagem de férias à França, onde havia participado de atividades em um laboratório especializado na manipulação dessas amostras biológicas.

De acordo com a juíza Christina Reiss, do Tribunal Distrital, as autoridades de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) possuem autoridade limitada para cancelar vistos e não podem fazê-lo com base em suspeitas relacionadas ao contrabando de amostras biológicas. A magistrada considerou que o cancelamento do visto de Petrova foi arbitrário e não condizente com os fatos apresentados. “Os fatos indiscutíveis revelam que o visto da Sra. Petrova foi impermissivelmente cancelado por causa das amostras de embrião de sapo e por nenhuma outra razão”, escreveu Reiss em sua decisão.

O episódio teve início em fevereiro do ano passado, quando Petrova, após sua estadia na França, passava pelo controle de passagens no Aeroporto Internacional Logan, em Boston. Durante a inspeção, as autoridades questionaram a cientista sobre as amostras que ela transportava. Após o interrogatório, Petrova foi informada de que seu visto havia sido cancelado. A jovem pesquisadora foi temporariamente detida por agentes de imigração em Vermont e posteriormente transferida para uma instalação de Imigração e Alfândega na Louisiana.

Em uma declaração recente, o advogado de Petrova, Gregory Romanovsky, informou que ela não tinha plena consciência de que as amostras deveriam ser declaradas ao entrar nos Estados Unidos, reiterando que a cientista não estava tentando infringir qualquer norma. Desde janeiro, Petrova já retornou ao seu laboratório em Harvard, após apresentar uma petição bem-sucedida ao tribunal para o direito de retomar suas atividades.

A recente decisão judicial é vista como um avanço significativo para corrigir um erro que causou perturbações desnecessárias na carreira da cientista. A situação gerou preocupações na comunidade acadêmica e científica, que teme que casos como o de Petrova possam impactar a atração e retenção de talentos estrangeiros nas instituições de ensino dos Estados Unidos. O Departamento de Segurança Interna não se manifestou imediatamente sobre a decisão do tribunal até o momento presente.

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