A subsecretária Paula Montagner, responsável pela apresentação dos dados, destacou a situação de 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, correspondendo a 15,4% da população do país. Esse grupo é divido da seguinte forma: 39% estão exclusivamente estudando, 29,1% apenas trabalhando, 13,2% combinam trabalho e estudos, enquanto 18,7% são classificados como “nem-nem”, ou seja, não estudam nem trabalham. A crescente preocupação recai sobre esse último grupo, que passou de 5,5 milhões para 6,2 milhões entre o final de 2025 e o início de 2026.
Montagner frisou que as mulheres negras são as mais afetadas, obrigadas a abandonar a educação e o emprego para realizar cuidados familiares. O estudo também expõe um panorama preocupante acerca do subemprego: 84% dos jovens ocupados estão em funções generalistas, recebendo, em sua maioria, salários inferiores a 1,5 salário mínimo. A análise revela que apenas 14% ocupam postos de nível técnico ou superior.
Outro dado relevante é a jornada média de trabalho dos adolescentes, que equivale a 27,3 horas por semana, o que pode comprometer o tempo destinado aos estudos. Esse cenário é alarmante, pois 52% dos adolescentes e 38,2% dos jovens adultos trocam de emprego em menos de um ano.
A pesquisa também sugere formas de melhorar a inserção dos jovens no mercado de trabalho, enfatizando a importância de aumentar a escolaridade e combater a evasão. Um foco especial deve ser dado ao público “nem-nem”, com a oferta de capacitações adaptadas às suas necessidades. Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE, evidenciou o compromisso da instituição em facilitar essa transição, ressaltando a importância de preparar os jovens para o futuro.
Com 62 anos de história, o CIEE destaca-se como a principal ONG de inclusão social e trabalho juvenil na América Latina, promovendo a capacitação e inserção de milhões de jovens no mercado de trabalho brasileiro.





