Jovens no Brasil: Mercado de trabalho avança, mas rotatividade e exclusão social seguem como desafios críticos, aponta diagnóstico do Ministério do Trabalho.

No último dia 25 de outubro, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) sediou uma coletiva de imprensa promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que apresentou o estudo intitulado “Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança”. A pesquisa, elaborada pela Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) do primeiro trimestre de 2026. Os resultados apontam para um mercado de trabalho que, embora mais formal e com índices de desemprego em queda, apresenta graves desafios, especialmente em relação à alta rotatividade e à exclusão social que afeta milhões de jovens brasileiros.

A subsecretária Paula Montagner, responsável pela apresentação dos dados, destacou a situação de 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, correspondendo a 15,4% da população do país. Esse grupo é divido da seguinte forma: 39% estão exclusivamente estudando, 29,1% apenas trabalhando, 13,2% combinam trabalho e estudos, enquanto 18,7% são classificados como “nem-nem”, ou seja, não estudam nem trabalham. A crescente preocupação recai sobre esse último grupo, que passou de 5,5 milhões para 6,2 milhões entre o final de 2025 e o início de 2026.

Montagner frisou que as mulheres negras são as mais afetadas, obrigadas a abandonar a educação e o emprego para realizar cuidados familiares. O estudo também expõe um panorama preocupante acerca do subemprego: 84% dos jovens ocupados estão em funções generalistas, recebendo, em sua maioria, salários inferiores a 1,5 salário mínimo. A análise revela que apenas 14% ocupam postos de nível técnico ou superior.

Outro dado relevante é a jornada média de trabalho dos adolescentes, que equivale a 27,3 horas por semana, o que pode comprometer o tempo destinado aos estudos. Esse cenário é alarmante, pois 52% dos adolescentes e 38,2% dos jovens adultos trocam de emprego em menos de um ano.

A pesquisa também sugere formas de melhorar a inserção dos jovens no mercado de trabalho, enfatizando a importância de aumentar a escolaridade e combater a evasão. Um foco especial deve ser dado ao público “nem-nem”, com a oferta de capacitações adaptadas às suas necessidades. Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE, evidenciou o compromisso da instituição em facilitar essa transição, ressaltando a importância de preparar os jovens para o futuro.

Com 62 anos de história, o CIEE destaca-se como a principal ONG de inclusão social e trabalho juvenil na América Latina, promovendo a capacitação e inserção de milhões de jovens no mercado de trabalho brasileiro.

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