Jovem torturada por padrasto revela agressões após salvar irmã

Jovem torturada por padrasto revela agressões após salvar irmã

“Ele (o padrasto) fazia todo o tipo de agressão comigo. Uma vez ele me queimou com um ferro quente. Tive queimaduras de terceiro grau e fiquei internada por três meses”. A lembrança é da comissária de bordo Erika Cristina Carballo de Oliveira, hoje com 23 anos, moradora de Mongaguá, no litoral de São Paulo.

A história de Erika foi revelada depois de ela encontrar a irmã, após 16 anos separadas, na última semana. Trata-se da estudante Gloria Maria de Souza Rocha, de 17 anos, que fugiu de casa após ser violentada pelo pai, o escritor Joselito Oliveira Rocha, de 40 anos, o mesmo homem que a comissária acusa de agressão.

Na noite de domingo (11), após cinco dias desaparecida, retornar para casa e alegar ter sido forçada a gravar um vídeo com o pai dizendo que estava tudo bem e registrar um boletim de ocorrência contra as pessoas que a ajudaram, Gloria resolveu procurar a polícia. Ela apresentou uma denúncia contra Joselito.

As irmãs são filhas de Maria José de Souza Franklin, de 44 anos, atual esposa do escritor e pai biológico de Gloria. O casal, que mora em Santos (SP), perdeu a guarda de Erika quando ela tinha seis anos por maus tratos. Após processo na Justiça, a menina, que precisou morar em um abrigo, foi adotada por outra família.

Ela foi retirada da família após uma enfermeira, enquanto ela estava internada, notar as ameaças. “Eu estava numa sala de brinquedo com a minha mãe e ele (o padrasto) chegou. Ele apertou o pescoço da minha mãe e disse que se eu contasse para alguém ele nos mataria. A enfermeira estava atrás e viu tudo”.

“Gloria me procurou em uma rede social para pedir ajuda. Nós não tínhamos contato, pois eles nunca disseram onde eu estava ou com quem estava”, conta Erika. A adolescente relatou que estava sofrendo violência do pai e não tinha respaldo da mãe, da mesma forma que aconteceu quando elas foram separadas.

Segundo Erika, a irmã relatou que os pais nunca disseram o real paradeiro dela. “Eles diziam que eu estava em Brasília, na casa da mãe do Joselito, mas que não tinham contato. A Gloria era muito pequena, tinha um ano, quando nos separaram, então ela só sabia que tinha uma irmã, mas não sabia detalhes”, explica.

A busca por ajuda uniu as duas novamente. Elas estiveram na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos para apresentar a real versão sobre o desaparecimento da estudante, que até então havia sumido após deixar uma escola no bairro Gonzaga. A jovem está provisoriamente sob os cuidados do Conselho Tutelar.

“As pessoas precisam saber quem é esse monstro. A gente pensou que tudo isso tinha terminado, aí veio essa criança pedindo ajuda para gente. Você vê a volta que o mundo dá”, desabafou a mãe adotiva de Erika, Maria Pilar Carballo Camano. Elas querem Justiça e que o Joselito seja punido.

A comissária de bordo também acusa o padrasto de sumir com um irmão biológico dela. “Eu não cheguei a conhecer o meu pai. Nunca consegui encontrá-lo. Sei que tinha um irmão e Joselito deu um sumiço nele quando casou com a minha mãe. Agora, com a minha irmã, eu gostaria de encontrar os dois”, desabafa.

O caso

Gloria Rocha relatou à polícia que fugiu na segunda-feira (5) para não ser mais agredida pelo pai que, segundo ela, também violenta a mãe. Essa foi versão que a adolescente apresentou no domingo. Após sair de casa há uma semana e ser devolvida à família por conselheiros tutelares de Monguagá, na sexta-feira (9).

A coordenadora da escola do Colégio Ramos Lopes, Daniela Cabral, de onde a aluna supostamente tinha desaparecido há uma semana, acompanhava os bastidores da história e foi quem acionou o Conselho Tutelar em Santos para auxiliar no caso. “Eu disse a ela para confiar em mim, que eu tentaria protegê-la”.

Daniela e Erika conseguiram encontrar com Gloria no domingo, que as acompanhou até a delegacia. A mãe, Maria José, reencontrou com a primeira filha, pediu desculpas e disse a ela que, pela primeira vez, “toparia falar a verdade”. No trajeto, Joselito as surpreendeu em um carro e levou a esposa para lugar incerto, segundo as testemunhas.

“Solicitei uma medida protetiva para que ela (a Gloria) não volte para casa. Ficará sob nossa responsabilidade até que a Vara da Infância e Juventude determine o destino dela”, explicou o conselheiro tutelar de Santos, Mauricio Bezouro Carvalho. Como representante da menina, ele não permitiu que ela concedesse entrevista.

O caso foi registrado pelo delegado Otávio Augusto Carvalho, com naturezas de ameaça (diante das acusações contra o pai), denunciação caluniosa e constrangimento ilegal (por alegar ter sido coagida a fazer um boletim com informações falsas). A situação será acompanhada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

O G1 tenta contato com Joselito e Maria pelos telefones que eles mesmos anunciaram na ocasião do desaparecimento da filha desde a noite de domingo (11). Nas tentativas, as ligações são direcionadas à caixa postal. Neste período, a página do escritor, em uma rede social, também foi tirada do ar.

12/06/2017

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