Jorge Messias se prepara para sabatina no Senado após cinco meses de articulações, mas estratégia enfrenta resistência de Davi Alcolumbre e indecisões de senadores.

Na véspera da crucial sabatina no Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, se dedicou a um intenso dia de articulação, o último após cinco meses de esforços para conquistar os votos necessários à sua aprovação. Com uma agenda reduzida, ele se concentrou na preparação para a audiência, em compromissos pontuais e em uma ofensiva discreta conduzida por seus aliados. Um dos principais alvos nessa busca por apoio era o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, que até então não havia mostrado sinais claros de apoio público.

Na tentativa de angariar votos, Messias participou de um almoço com a bancada do PSB, que contou com a presença do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Este encontro foi visto como uma tentativa de solidificar alianças com parlamentares do centro, crucial para diminuir possíveis resistências entre os indecisos. Enquanto isso, em reuniões preparatórias, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o relator da indicação, Weverton Rocha, dedicaram-se a reuniões com diversos senadores, com o intuito de garantir a presença deles durante a votação, um fator considerado crítico em uma semana marcada por feriados prolongados.

Nos bastidores, André Ceciliano, ex-secretário de Assuntos Parlamentares, foi encarregado de reativar laços com senadores da oposição e do centro, conversando individualmente com pelo menos dez parlamentares. Essa estratégia personalizada foi vista como uma maneira de suavizar possíveis objeções.

Um aspecto inusitado dessa mobilização foi a participação de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também se envolveram na busca por votos, tentando elevar o prestígio institucional de Messias. A presença do ministro da Defesa, José Múcio, que prometeu estar presente durante a sabatina, e a volta de Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, para votar, enfatizavam a seriedade da mobilização.

No entanto, o principal desafio de Messias estava na intransigência de Davi Alcolumbre, que se recusou a se comprometer e dar orientações à sua base sobre a indicação. Um encontro reservado entre Messias e Alcolumbre que vazou à imprensa causou desconforto no presidente do Senado e contribuiu para a falta de um respaldo político mais firme em um momento crucial.

Sem essa sinalização pública, muitos senadores preferiram manter silêncio a respeito de seus votos, criando um clima de incerteza às vésperas da sabatina. Neste clima tenso, Messias refletiu sobre as questões que poderiam ser levantadas durante a audiência, ajustando seu discurso sob a orientação de estrategistas, e dedicando-se a uma rotina rigorosa que incluiu ensaios, alimentação leve e momentos de foco espiritual.

Após meses de articulações, desde sua indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o caminho de Messias foi pavimentado com apoio de lideranças evangélicas e até mesmo de figuras proeminentes como José Sarney. A meta é clara: conquistar votos suficientes em um cenário onde a aprovação depende tanto da presença no plenário quanto das flutuações de última hora. Apesar das mobilizações, o quadro permanece indefinido, evidenciando que o próximo passo é crítico não apenas para Messias, mas para a continuidade das alianças políticas do governo.

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