O artigo 5º desse ato é claro: a apreciação de uma nova indicação é vedada para aqueles que já enfrentaram a rejeição. Embora essa regra formal exista, membros do governo estão explorando possíveis brechas que poderiam permitir uma nova análise do nome de Messias. Eles argumentam que tal normatização não se encontra explicitamente na Constituição, enfatizando que um ato da Mesa não necessariamente altera as regras internas do Senado.
Aliados de Messias evocam um precedente histórico que poderia acirrar as discussões sobre sua nova candidatura: a rejeição de Alexandre de Moraes em 2005, quando sua indicação ao Conselho Nacional de Justiça foi derrubada, mas logo depois ele obteve aprovação em outra votação, graças a uma manobra política. No entanto, é importante destacar que essa situação ocorreu antes da implementação do ato de 2010.
No cenário atual, figuras proeminentes do governo indicam que a questão em jogo é mais de natureza política do que regimental. Eles consideram que qualquer indicação futura de Messias, ou de outro nome postulado por Lula, poderá ter êxito somente após uma reconciliação entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Recentemente, Messias viu sua candidatura naufragar após obter 34 votos contra os 41 necessários, uma derrota que foi encarada como um revés significativo para a administração Lula.
Davi Alcolumbre, que se manifestou contrário à escolha de Messias, havia defendido o nome de Rodrigo Pacheco, seu antecessor, como um aliado político. Apesar de publicamente negar qualquer tipo de articulação contrária, Alcolumbre é visto como uma figura central neste embate político.
A postura do presidente Lula, após a rejeição, sugere que ele pretende reencaminhar a indicação de Messias. Conversas nos bastidores indicam que ele não vê o revés apenas como uma falha pessoal, mas como uma afronta à sua autoridade constitucional.
Nos dias que se seguiram à rejeição, Lula considerou a possibilidade de buscar outras alternativas para a vaga, especialmente diante de pressões internas por uma indicada do sexo feminino. Contudo, essa alternativa rapidamente perdeu força, permitindo que o foco retornasse ao nome de Messias. Um encontro recente entre Lula e Alcolumbre, durante a posse de Kássio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, retratou o clima de tensão, com ambos evitando qualquer contato, apesar de estarem sentados próximos um do outro. Esse episódio ilustra a fragilidade das relações políticas atuais e as complexas dinâmicas envolvidas nas indicações para o STF.
