Em sua fala, Messias destacou sua convicção pessoal, afirmando que “aborto é crime” e compartilhando sua visão de que a sua posição deve ser diferenciada da atuação institucional da AGU. Mesmo ao expressar sua forte oposição ao aborto, ainda assim enfatizou que a competência para legislar sobre esse tema cabe ao Congresso, conforme estipula a Constituição.
Considerado um pastor evangélico, Messias fez referências a Deus em várias ocasiões, enfatizando a importância de suas crenças em sua formação. Ele defendeu a laicidade do Estado, salientando que sua condução, caso aprovado, será guiada pela Constituição. Essa dualidade, entre crenças pessoais e obrigações institucionais, parece ser uma estratégia para estabelecer um diálogo com uma bancada diversificada no Senado, que inclui tanto aliados como opositores.
Além disso, ao abordar a necessidade de reformas no STF, Messias sugeriu um fortalecimento da transparência e do aperfeiçoamento das práticas da Corte. A complexidade do momento pelo qual passa o Supremo, especialmente diante de críticas públicas, também foi alvo de suas considerações. Ele promoveu a ideia de um código de conduta para magistrados, ressaltando que todos os poderes devem se submeter a regras rigorosas.
A sabatina se desenrolou em um ambiente de tensão, especialmente porque a indicação de Messias não seguia a escolha desejada pela liderança do Senado, que favorecia outro nome. No entanto, na tentativa de apaziguar as relações, ele fez gestos de cordialidade e respeito a senadores da oposição, inclusive reconhecendo a importância do diálogo em uma democracia plural.
Embora sua sabatina tenha sido uma oportunidade para reiterar posições pessoais, Messias também buscou se apresentar como um tecnocrata ao longo de sua carreira, procurando distanciar sua atuação da polarização política. Ao final, o resultado da votação no plenário do Senado permanece incerto, com o governo esperando cerca de 45 votos favoráveis, em um cenário em que a votação acontece em segredo, intensificando a expectativa sobre seu futuro na alta corte judiciária.
