João Honorato: A História do “Rei do Calçadão” que Encanta Gerações em Maceió Enquanto Roberto Carlos completa 85 anos.

No coração do Centro de Maceió, o dia amanhece com um ritmo vibrante. À medida que os ônibus chegam e os comerciantes se preparam para mais um dia de trabalho, um personagem singular começa a se destacar entre a multidão. Vestindo um paletó branco e ostentando um medalhão reluzente, João Honorato, de 72 anos, deixa de ser apenas um alagoano comum e se transforma no “Rei do Calçadão”, um dos covers mais famosos de Roberto Carlos na cidade.

Neste domingo, 19 de abril, enquanto o renomado cantor brasileiro celebra seus 85 anos, João reflete sobre uma trajetória que se entrelaça aos marcos da cultura local. Com uma presença constante nas ruas de Maceió, João se tornou uma figura icônica, reconhecida por várias gerações. Uma cabeleireira local, Silvana Martins, compartilha sua emoção ao relembrar os dias em que levava suas filhas pequenas ao calçadão, onde João já encantava o público. “É uma alegria ver que ele ainda está aqui, mantendo a tradição viva”, comenta.

A história de João como intérprete de Roberto Carlos não surgiu de um planejamento rigoroso. Antes de abraçar essa identidade, ele explorou diversas vocações, incluindo contabilidade e performances de palhaço. Sua transformação em “Rei” aconteceu quase por acaso, após uma apresentação improvisada que chamou a atenção do público. O retorno positivo o fez perceber que sua verdadeira paixão estava na música, apesar das dificuldades que essa escolha envolveria.

João lembra que, mesmo tendo um bom salário como contador, o dinheiro não era suficiente para preencher o vazio deixado pela falta de realização pessoal. Ele enfrentou resistência familiar, especialmente da esposa, antes de se decidir a seguir seu sonho. “Quase desisti, mas queria que meus filhos se orgulhassem de mim”, confessa.

Essa escolha se revelou acertada. Com o tempo, ele começou a se apresentar em eventos com frequência, mantendo um agitado calendário de shows em Maceió e região, e até firmando um contrato com uma produtora em Fortaleza que durou 15 anos. “Foi assim que construí minha casa e criei meus filhos. O retorno valeu a pena”, explica.

A paixão de João pela obra de Roberto Carlos começou na adolescência, em um momento marcante no hospital em sua cidade natal. Desde então, ele dedicou-se a estudar os trejeitos e o repertório do cantor, tornando-se um verdadeiro imitador. O reconhecimento nas ruas é constante, proporcionando-lhe um contato caloroso com o público. Ele menciona a alegria de ser abordado por pessoas de diferentes origens, do mendigo ao deputado, sempre com o mesmo respeito.

Ainda que tenha conquistado o reconhecimento como um artista admirado, João admite que sua identidade pessoal foi eclipsada por sua persona de Roberto Carlos. Rindo, ele sentencia que “João Honorato quase ninguém conhece mais”. O único contato que ele teve com o cantor verdadeiro foi indireto, através de sua equipe durante shows, e não guarda mágoas por nunca ter se encontrado pessoalmente com seu ídolo.

Apesar de estar aposentado há cinco anos, João continua a frequentar o calçadão, afirmando que parar não é uma opção. “Valeu a pena viver isso? Com certeza, e ainda continua valendo muito”, finaliza, demonstrando que sua paixão pela arte e pela música permanece mais viva do que nunca.

Sair da versão mobile