João Carlos, que lidera artisticamente o projeto, expressou o desejo de criar uma onda de esperança para aqueles que temem serem substituídos por gerações mais jovens na musica clássica. Em sua concepção, a orquestra representa uma chave para revitalizar a carreira de músicos que, muitos deles, acabaram de se aposentar de renomadas instituições como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a Orquestra Municipal. O maestro mencionou que muitos dos convocados para fazer parte do projeto chegaram a se emocionar ao reagrupar e voltar a tocar juntos.
Sua paixão pela música persiste, mesmo diante de desafios pessoais significativos. Diagnóstico precoce de contratura de Dupuytren e distonia focal o acompanhou desde os 18 anos, o que tornou seu relacionamento com o piano ainda mais intrigante. Ele mencionou que, apesar das adversidades, nunca desistiu de seus sonhos, buscando conectar as gerações com a música. Para ele, música é profundamente emotiva, capaz de preencher lacunas deixadas pela linguagem.
O maestro, que em breve completará 86 anos, fez uma brincadeira leve sobre a sua própria experiência, referindo-se a si mesmo como “ultrassênior”. Ele prevê realizar 120 concertos neste ano, embora tenha reduzido sua carga horária. Com este projeto, João Carlos almeja inspirar a formação de novas orquestras sêniores em todo o Brasil, promovendo uma democratização do acesso à música clássica.
Com sua experiência formando a Bachiana Filarmônica e a Bachiana Jovem, a nova formação busca diversificar seu repertório, explorando temas pouco convencionais, como a relação da música com a psicanálise e o meio ambiente. Os concertos, que começarão em 15 de abril, terão uma duração aproximada de 50 minutos e ocorrerão em horários mais acessíveis ao público.
O processo seletivo dos músicos foi realizado com o auxílio do maestro Laércio Sinhorelli, e o projeto já provocou uma recepção entusiástica em uma apresentação prévia, a qual foi descrita como um “escândalo”, comparando-a ao Carnaval. Para João Carlos, este modal de orquestra traz à tona a missão social de discutir temas importantes da sociedade, promovendo um diálogo enriquecedor entre a arte e a vida cotidiana. Com uma visão inovadora, ele propõe que, unindo tradição e inovação, é possível criar um novo espaço inclusivo e representativo no mundo da música clássica.
