
Minha avó, Quiterinha, nasceu na década de 30, no início do século passado, em Canastra. Foi uma mulher disruptiva, de muita atitude, à frente do seu tempo, que desafiou o status quo da sua época.
Professora, iniciou a vida profissional cedo, já lecionava aos 15 anos. Mais tarde, através de concurso, passou a administrar um pequeno cartório local e virou a “dona Quiterinha do Cartório“.
Era a primeira vez que a cidade tinha um cartório. Usou da sua boa articulação para criar relações do outro lado do balcão, daqueles que chegavam na sua maioria como clientes. Sua credibilidade construiu amizades sólidas e fez amplificar sua voz.
Da paixão pelas creches, que se especializou e sustentou 8, fez doutorado em resolver problemas “dos outros”. O que fosse, “Dona Quiterinha resolve”.
Levava uma vida simples. Abriu as portas da sua casa para todos. Os que chegavam de viagem, era o lugar que tinha pra ficar. Para muitos da cidade, era onde faziam a única refeição do dia e onde poderiam ser ouvidos.
Era uma líder excepcional, mas o povo a queria nas decisões da cidade e assim foi! Foi eleita a primeira mulher Prefeita da cidade! Quebrou tabus, foi estreante, inédita!
Obrigado, minha avó querida! Seu legado vive e corre nas minhas veias. Daremos continuidade pelas futuras gerações. Te amamos!