Historicamente, nas edições anteriores de seu programa, o PLD havia enfatizado a necessidade de enfrentar desafios geopolíticos, destacando a importância da colaboração com a comunidade internacional em sanções direcionadas a Moscou. O texto de 2024, por exemplo, citava a urgência em impedir a “mudança unilateral do status quo” por estados hegemônicos como a China e a Rússia, além de manifestar um forte apoio à Ucrânia através de parcerias com o G7.
No novo programa, no entanto, a liderança do partido, sob a direção da política Sanae Takaichi, optou por um enfoque mais amplo, que menciona a proteção da ordem internacional sem especificar diretamente os conflitos atuais envolvendo a Rússia e a Ucrânia. A nova redação aborda as “persistentes tensões geopolíticas”, como o fortalecimento militar da China e o desenvolvimento de armas nucleares pela Coreia do Norte, sem aprofundar-se nas questões relacionadas aos conflitos na Europa.
Essa mudança de tom é vista como uma tentativa de o governo japonês suavizar sua postura diante das complexidades geopolíticas atuais, mantendo uma posição de defesa e proteção dos interesses do país. Durante uma coletiva de imprensa recente, Takaichi mencionou que questões referentes à Ucrânia foram discutidas com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, mas evitou adotar uma retórica mais agressiva ou acusatória, optando por um discurso que almeja uma “paz duradoura e sustentável”.
Esse enfoque mais diplomático pode ser interpretado como uma estratégia do PLD para equilibrar pressionar os interesses de segurança nacional, ao mesmo tempo em que evita aprofundar as tensões com a Rússia, uma potência significativa na região. A direção estratégica que o Japão tomará nas próximas semanas será crucial, não apenas para suas relações exteriores, mas também para a percepção interna de seu governo diante de um eleitorado cada vez mais atento aos desdobramentos do cenário internacional.






