O Tipo-12, desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries, apresenta um alcance impressionante de cerca de 1.000 quilômetros, um aumento considerável em relação aos 200 quilômetros da versão anterior. Essa nova largura de ação permite ao Japão atingir alvos em áreas mais distantes, incluindo partes do território continental da China, o que representa uma mudança estratégica de grande relevância para a posição do país no contexto geopolítico atual.
Durante a cerimônia de lançamento, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, enfatizou que o novo sistema não apenas reforça a capacidade de dissuasão do Japão, mas também destaca a determinação do país em garantir sua própria segurança. No entanto, essa modernização não ocorreu sem reações adversas. Moradores nas proximidades do Campo Kengun expressaram sua preocupação, manifestando temores de que suas localidades possam se tornar alvos em um eventual conflito.
Além da introdução do Tipo-12, o Japão também anunciou o uso de um veículo planador hipersônico em Campo Fuji, parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a defesa das ilhas do sudoeste japonês. O governo também está planejando a distribuição adicional de unidades do míssil e veículos blindados em regiões estratégicas, como Hokkaido e Miyazaki, até 2028.
Esses desenvolvimentos acontecem em um momento de crescentes tensões com a China, que Tóquio considera a principal ameaça à sua segurança regional. Em resposta a essa dinâmica, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi aprovou um orçamento recorde de defesa, superando 9 trilhões de ienes, o que equivale a aproximadamente 327 bilhões de reais. Essa verba será utilizada para fortalecer as capacidades de contra-ataque, vigilância e a defesa costeira do Japão.
A intensificação das atividades militares chinesas perto das ilhas japonesas, como a operação simultânea de dois porta-aviões em 2023, elevou o nível de alerta em Tóquio. As tensões aumentaram ainda mais após declarações de Takaichi, que indicaram que uma ação militar chinesa contra Taiwan poderia justificar uma resposta militar do Japão. Para monitorar mais eficazmente a atuação da China no Pacífico, o Ministério da Defesa também estabeleceu um escritório exclusivo, reforçando assim a estratégia de vigilância e contenção.
A modernização das forças armadas japonesas, portanto, é um reflexo não apenas de um desejo por segurança interna, mas também de uma resposta às novas realidades geopolíticas que afetam a região.
