Embora o Japão tenha se mantido à margem do mercado global de armamentos por décadas, sua capacidade industrial é notável. Com investimentos que ultrapassam US$ 60 bilhões (mais de R$ 361 bilhões) apenas neste ano, o país é capaz de produzir equipamentos avançados, como submarinos e caças. Esse potencial é especialmente atraente para nações que buscam modernizar suas forças armadas em resposta a tensões regionais, como as que enfrentam questões de segurança no mar do Sul da China.
As empresas japonesas, como Toshiba e Mitsubishi Electric, já estão se adaptando a essa nova realidade. Executivos dessas companhias relataram um aumento na contratação de pessoal e na ampliação de suas capacidades produtivas, o que indica uma verdadeira abertura do setor privado para o mercado internacional de defesa. Um dos primeiros passos previstos para essa nova fase de exportações é a venda de fragatas usadas às Filipinas, um primeiro movimento que poderá facilitar futuros contratos, incluindo tecnologia de sistemas antimísseis.
Na Europa, essa movimentação japonesa é vista como uma oportunidade para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos, cujas capacidades produtivas estão sob pressão devido a diversos conflitos simultâneos, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. As atitudes imprevisíveis do governo Trump, incluindo mudanças frequentes nas alianças, estão contribuindo para essa urgência em diversificar fontes de armamento.
Enquanto isso, a primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou que está revisando os controles sobre a produção de armamentos do Japão, visando não apenas o fortalecimento da indústria local, mas também um suporte mais robusto aos aliados. Essa transformação marca uma mudança crescente na política de defesa do Japão, movimento que tem sido gradual desde a administração do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, mas que agora parece ganhar velocidade e determinação. As próximas etapas dessa nova era militar do Japão prometem impactar não apenas a indústria da defesa local, mas todo o equilíbrio de poder na região.
