Itaú denuncia fraudes bilionárias na Americanas e afirma: “fomos vítimas, sem conivência” durante apresentação de resultados financeiros.

O presidente do Itaú, Milton Maluhy, chamou a atenção para o escândalo financeiro que abalou a Americanas, classificando-o como “uma das maiores fraudes já vistas no Brasil”. Durante a apresentação do balanço do segundo trimestre, Maluhy enfatizou que o banco, assim como o restante do sistema financeiro, se configurou como uma vítima significativa, enfrentando perdas de bilhões de reais em decorrência do caso. Ele refutou com veemência quaisquer insinuações de conivência por parte das instituições financeiras, afirmando que seria “ilógico” para os bancos participarem de esquemas que resultaram em prejuízos avassaladores.

O executivo destacou que a crise na Americanas vai além de uma mera questão contábil; trata-se de uma ação deliberada de ocultação de passivos. Maluhy ressaltou que a responsabilidade pela integridade contábil recai sobre a própria empresa e seus auditores, apontando que a situação demandou uma investigação rigorosa. Ele também esclareceu que, mesmo reunindo as receitas de operações de antecipação de recebíveis realizadas nos anos anteriores, o saldo ainda saiu substantialmente negativo devido às perdas relacionadas à fraude.

De acordo com Maluhy, em virtude da análise criteriosa das informações solicitadas à Americanas, o Itaú já havia suspendido suas operações com a varejista antes da revelação da fraude. O presidente enfatizou a importância do papel dos auditores e a função das “cartas de circularização” emitidas pelos bancos, que servem apenas como apoio para validação das informações, e não como indícios de conivência.

No âmbito da investigação, a Polícia Federal iniciou em junho uma nova fase da Operação Disclosure, voltada ao aprofundamento das apurações sobre a fraude na Americanas. Mandados de busca e apreensão foram executados em várias localidades, incluindo o Rio de Janeiro e São Paulo, abrangendo acionistas e executivos da empresa, incluindo do Itaú. A PF identificou fortes indícios de manipulação de mercado e associação criminosa, ressaltando que os envolvidos tinham pleno conhecimento das irregularidades contábeis que persistiram por anos.

Além do impacto da fraude, Maluhy também abordou outras preocupações econômicas, citando a pressão inflacionária decorrente de conflitos globais e a possibilidade de juros elevados nos Estados Unidos. Ele anunciou que o Itaú revisou suas previsões de crescimento do PIB, de 2,1% para 1,9%, e espera uma inflação de 5,1%, superando o teto da meta estabelecida. Por fim, o presidente comentou sobre o período eleitoral, prevendo volatilidade no mercado, mas acreditando que a clareza nas propostas dos candidatos sobre questões fiscais será essencial para a confiança do investidor. “Um cenário fiscal desordenado pode gerar inflação e comprometer o poder de compra das famílias”, concluiu Maluhy.

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