O executivo destacou que a crise na Americanas vai além de uma mera questão contábil; trata-se de uma ação deliberada de ocultação de passivos. Maluhy ressaltou que a responsabilidade pela integridade contábil recai sobre a própria empresa e seus auditores, apontando que a situação demandou uma investigação rigorosa. Ele também esclareceu que, mesmo reunindo as receitas de operações de antecipação de recebíveis realizadas nos anos anteriores, o saldo ainda saiu substantialmente negativo devido às perdas relacionadas à fraude.
De acordo com Maluhy, em virtude da análise criteriosa das informações solicitadas à Americanas, o Itaú já havia suspendido suas operações com a varejista antes da revelação da fraude. O presidente enfatizou a importância do papel dos auditores e a função das “cartas de circularização” emitidas pelos bancos, que servem apenas como apoio para validação das informações, e não como indícios de conivência.
No âmbito da investigação, a Polícia Federal iniciou em junho uma nova fase da Operação Disclosure, voltada ao aprofundamento das apurações sobre a fraude na Americanas. Mandados de busca e apreensão foram executados em várias localidades, incluindo o Rio de Janeiro e São Paulo, abrangendo acionistas e executivos da empresa, incluindo do Itaú. A PF identificou fortes indícios de manipulação de mercado e associação criminosa, ressaltando que os envolvidos tinham pleno conhecimento das irregularidades contábeis que persistiram por anos.
Além do impacto da fraude, Maluhy também abordou outras preocupações econômicas, citando a pressão inflacionária decorrente de conflitos globais e a possibilidade de juros elevados nos Estados Unidos. Ele anunciou que o Itaú revisou suas previsões de crescimento do PIB, de 2,1% para 1,9%, e espera uma inflação de 5,1%, superando o teto da meta estabelecida. Por fim, o presidente comentou sobre o período eleitoral, prevendo volatilidade no mercado, mas acreditando que a clareza nas propostas dos candidatos sobre questões fiscais será essencial para a confiança do investidor. “Um cenário fiscal desordenado pode gerar inflação e comprometer o poder de compra das famílias”, concluiu Maluhy.




