Apesar das declarações do banco, a natureza da transação levanta preocupações sobre a real autonomia do Estadão. O apoio financeiro vem em um momento em que o jornal sofre perdas significativas, com um prejuízo acumulado de R$ 159 milhões. O mais recente balanço, publicado em 9 de outubro, indicou mais um prejuízo, desta vez de R$ 16,8 milhões para o ano de 2025, o que provoca inquietações quanto à sustentabilidade da operação independente do jornal.
A participação do Itaú não se limitou apenas ao aporte financeiro. De acordo com as informações disponíveis, a negociação garantiu a entrada de três representantes dos investidores no conselho de administração do Estadão. Essa decisão sugere que a estrutura do acordo foi concebida de uma forma que ultrapassa um simples empréstimo, potencialmente comprometendo a linha editorial do veículo.
Os novos membros do conselho incluem figuras influentes, como Marcelo Pereira Malta de Araújo, ex-executivo do grupo Ultra, Marco Bologna, sócio da Galápagos, e Tito Enrique da Silva Neto, ex-presidente do Banco ABC. Este rearranjo na liderança se intensificou com a exigência dos investidores de substituição do CEO do jornal, um movimento que culminou na troca de Francisco de Mesquita Neto por Erick Bretas em junho de 2024.
Além do Estadão, o Itaú parece exercer influência editorial também em outros veículos, como a revista Piauí, gerando um cenário que levanta alarmes sobre a isenção e a integridade do jornalismo em meio a situações financeiras críticas. A situação é uma clara indicação de que o financiamento de mídia pode ter repercussões mais amplas que somente financeiras, envolvendo questões de controle editorial que são vitais para a liberdade de imprensa. O futuro da independência do Estadão, assim como de outros veículos que dependem de investimentos semelhantes, permanece incerto, à medida que as repercussões dessa nova dinâmica se desenrolam.
