Itaú, Bradesco e BCP Lideram Competição por Inteligência Artificial no Setor Bancário da América Latina, Revela Relatório da Moody’s

Inteligência Artificial no Sistema Financeiro da América Latina: Uma Análise das Vantagens Competitivas

O Itaú Unibanco, o Bradesco e o Banco de Crédito del Perú (BCP), parte do conglomerado Credicorp, se destacam como líderes na adoção de Inteligência Artificial (IA) no contexto financeiro da América Latina. Essa posição privilegiada, no entanto, não se deve unicamente à tecnologia em si, mas, em grande medida, aos vastos dados que essas instituições acumularam através de suas próprias plataformas de pagamento, conforme revela uma recente análise da Moody’s. O estudo, publicado em agosto, enfatiza que a IA pode expor as lacunas estruturais que impedem uma adoção mais ampla e competitiva no setor bancário da região.

De acordo com a pesquisa, os bancos latino-americanos já demonstram um nível de eficiência superior em comparação com suas contrapartes de mercados desenvolvidos. A relação entre custos e receitas, por exemplo, deverá ser de 52% em 2025, um avanço em relação aos 57% registrados nas nações mais desenvolvidas. O retorno sobre ativos tangíveis também se destaca: 1,2% na América Latina, em contraposição ao 1,0% encontrado em outros mercados analisados.

Os analistas da Moody’s argumentam que o próximo impulso positivo oriundo da IA não se concentrará em cortes de despesas, mas sim na maximização do engajamento do cliente e na inovação de produtos. Essas instituições estão integrando a IA em suas estratégias de negócios, tornando-a uma ferramenta vital para a personalização e monetização de plataformas digitais, em vez de utilizá-la apenas como um recurso para automatizar processos internos.

No entanto, fora do Brasil e do Peru, a situação é diferente. Em outros países da região, as instituições tendem a abordar a transformação digital de forma genérica, sem um foco claro em estratégias específicas para a IA. Essa diferença acentua a singularidade das políticas e práticas observadas entre os bancos brasileiros e peruanos.

Além disso, a maneira como a tecnologia é implementada constitui um ponto crucial: muitas instituições a utilizam como uma camada adicional sobre sistemas já existentes. Embora isso acelere resultados a curto prazo, pode restringir inovações mais significativas a longo prazo.

Um dos pilares da vantagem competitiva dos grandes bancos reside em suas plataformas de pagamento, que geram um grande volume de dados transacionais. Este insumo é fundamental para alimentar modelos de IA, que auxiliam na concessão de crédito, no lançamento de novos produtos e na retenção de clientes. Exemplos notáveis incluem as iniciativas de Itaú Unibanco com a Rede e a carteira digital iti, assim como as operações do Bradesco e do Banco do Brasil com a Cielo.

As fintechs também emergem como concorrentes, utilizando dados próprios para desafiar as vantagens estabelecidas dos bancos. Apesar disso, espera-se que essa competição não seja suficiente para alterar drasticamente a hierarquia vigente no setor. A Moody’s prevê uma erosão das margens de lucro, mas com a constatação de que os dados transacionais e comportamentais permanecerão como as maiores vantagens competitivas.

Assim, a combinação do engajamento do cliente com a utilização eficaz de dados deverá garantir a permanência do Itaú, Bradesco e BCP na liderança do sistema financeiro latino-americano nos próximos anos. A capacidade de personalização e a evolução contínua de suas plataformas digitais são fatores determinantes nesse cenário em transformação.

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