Da redação – O deputado federal Marx Beltrão (União Brasil-AL) criticou, nesta quinta-feira (16), a decisão do governo federal de elevar de 30% para 32% o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. Em posicionamento publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a medida não enfrenta as verdadeiras causas do preço elevado dos combustíveis e pode transferir novos riscos e prejuízos aos consumidores.
A gasolina E32 está prevista para chegar aos postos a partir de 1º de agosto, inicialmente por 180 dias. Enquanto o governo estima que a mudança poderá reduzir o preço em apenas alguns centavos por litro, entidades ligadas às montadoras, importadoras e fabricantes de componentes alertam para a ausência de estudos específicos e conclusivos sobre a segurança e a compatibilidade da nova composição com toda a frota brasileira.
“Sabe qual foi a grande ideia do governo para baratear a gasolina? Colocar menos gasolina dentro da gasolina. Parece piada, mas não é. Agora nós vamos ter 32% de etanol na mistura. Em vez de atacar o problema de verdade, preferiram fazer alquimia”, declarou Marx.
Anfavea, Abeifa, Abraciclo e Sindipeças manifestaram preocupação especialmente com carros antigos, veículos importados, modelos exclusivamente a gasolina e motocicletas. Segundo as entidades, o aumento do teor de etanol pode elevar o consumo, reduzir a autonomia e, em veículos não preparados para a nova composição, acelerar o desgaste de mangueiras, vedações, bombas, bicos injetores e outros componentes do sistema de alimentação.
Marx alertou que uma economia de poucos centavos no momento do abastecimento poderá resultar em despesas muito maiores com manutenção. Além dos possíveis danos mecânicos, o motorista ainda poderá precisar abastecer mais vezes em razão da redução da autonomia do veículo.
“Um país que produz petróleo, que tem uma das maiores empresas de energia do planeta, consegue a proeza de vender um combustível caro demais para a renda do trabalhador e ainda entregar uma gasolina com teor cada vez maior de etanol. E quem paga essa conta? O motorista. Você economiza alguns centavos na bomba e corre o risco de gastar centenas ou milhares de reais na oficina”, afirmou.
Segundo o deputado, o governo optou por alterar a composição do combustível mesmo diante dos alertas apresentados por representantes da indústria automotiva. Para Marx, antes de colocar a nova mistura nas bombas, é necessário apresentar estudos conclusivos e oferecer garantias de que nenhum consumidor será prejudicado.
“Isso não é solução, é maquiagem. É esconder a incompetência atrás de uma mistura química. O brasileiro não quer truque. Quer combustível de qualidade, preço justo e respeito com quem trabalha para sustentar este país”, reforçou.
A manifestação desta quinta-feira é mais um capítulo de uma atuação iniciada ainda em 2018. Marx se consolidou como o deputado alagoano que mais se posiciona contra o aumento dos combustíveis e transformou essa preocupação em uma das bandeiras permanentes de seu mandato.
Em 2018, Marx apresentou um projeto de lei para limitar os reajustes dos combustíveis aos índices oficiais de inflação. Em 2021, cobrou providências do governo federal e da Petrobras, procurou o Procon de Alagoas, acionou a Agência Nacional do Petróleo contra possíveis cobranças abusivas nos postos e articulou a criação de uma frente parlamentar contra os aumentos.
Nos anos seguintes, o deputado manteve a cobrança pelo fim da política de paridade internacional da Petrobras, defendeu a redução de impostos, apoiou mudanças na cobrança do ICMS e apresentou emendas para manter zerada a Cide incidente sobre a gasolina. Marx também defendeu a investigação da política de preços e da distribuição de dividendos da estatal.
Mais recentemente, cobrou oficialmente da ANP e da Secretaria Nacional do Consumidor uma fiscalização rigorosa dos reajustes e passou a exigir que toda redução anunciada pela Petrobras seja efetivamente repassada aos preços nas bombas. Também se posicionou contra o aumento do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha.
A trajetória demonstra que a posição de Marx não surgiu apenas com a discussão sobre a gasolina E32. Desde 2018, ele mantém uma atuação constante em defesa de combustíveis mais baratos, fiscalização contra abusos e proteção do motorista e do consumidor brasileiro.
