O escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) expressou preocupação, qualificando esses ataques como “graves violações do direito internacional humanitário”. Organizações de direitos humanos levantam questionamentos sobre as alegações israelenses de que as unidades de saúde estavam sendo utilizadas pelo Hezbollah, o que é categoricamente negado por essa organização.
Entre os impactos mais diretos dos conflitos, 2.294 pessoas perderam a vida, incluindo ao menos 177 crianças, e outras 7,5 mil ficaram feridas, segundo estimativas do Ministério da Saúde do Líbano. Além disso, relatos indicam que sete jornalistas foram alvos de ataques, elevando preocupações sobre a segurança da imprensa no contexto da guerra.
As consequências humanas se estendem a um número alarmante de deslocados. Mais de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, representando cerca de 15% da população do país. O cenário é ainda mais preocupante com a destruição de 37,8 mil unidades habitacionais, a maioria delas em subúrbios de Beirute, conforme estimativas do Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS).
O governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sustenta que os ataques visam desmantelar infraestrutura militar do Hezbollah, mas para especialistas, essa operação pode ser interpretada como uma forma de limpeza étnica, vislumbrando criar uma zona despovoada na região do Rio Litani. A recente destruição de pontes e a restrição de movimento entre as cidades de Tiro e Sidon demonstram um esforço deliberado para isolar comunidades.
Em meio a essa crise, líderes políticos libaneses, como o presidente do Parlamento, Nabih Berri, fazem apelos pela unidade nacional, alertando que a fragmentação serve aos interesses israelenses. Apesar das dificuldades, muitos libaneses expressam solidariedade à resistência, desafiando as tentativas de dividir a sociedade.
Neste cenário catastrófico, a luta pela preservação dos direitos humanos e pela integridade do sistema de saúde no Líbano continua a ser uma batalha crítica, que demanda atenção e ação da comunidade internacional.







