Israel cria primeira brigada de soldados ultraortodoxos, marcando mudança significativa no serviço militar e no envolvimento da comunidade haredi nas Forças de Defesa.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) deram um passo histórico ao anunciar a formação da primeira brigada composta por soldados ultraortodoxos, denominada “Hahashmonaim”. Esta iniciativa representa uma mudança significativa no cenário militar e social de Israel, uma vez que envolve a inclusão de uma comunidade que, até então, mantinha uma relação ambivalente com o serviço militar.

O recrutamento começou com a inscrição inicial de 50 soldados que formarão o núcleo da brigada. Além disso, prevê-se que outros 100 voluntários da comunidade ultraortodoxa se juntem ao serviço como reservistas. Os novos recrutas passarão por um rigoroso treinamento de seis meses em infantaria, buscando integrar esses jovens ao cotidiano das forças armadas israelenses de forma mais ampla.

Ao longo das últimas décadas, a maioria dos jovens da comunidade ultraortodoxa, conhecida como Haredi, estava isenta do serviço militar, geralmente argumentando que sua dedicação ao estudo de textos sagrados contribuía para a preservação e segurança do Estado de Israel. Essa isenção vinha sendo uma fonte de tensão, especialmente após uma decisão da Suprema Corte de Israel em 2017, que considerou essa prática uma violação dos direitos de igualdade. Desde então, o governo tem se esforçado para implementar novas diretrizes que democratizem o recrutamento, com um foco crescente na contratação de jovens ultraortodoxos.

Entretanto, a formação dessa nova brigada não vem sem controvérsias. O ambiente político é tenso, com opiniões divididas até dentro do próprio governo. Israel Katz, atual Ministro da Defesa, defendeu a iniciativa, mas seu antecessor, Yoav Gallant, renunciou em protesto contra as novas diretrizes, evidenciando a fragilidade da coalizão governamental em lidar com questões sensíveis relacionadas à comunidade Haredi.

O único batalhão já existente, chamado Netzah Yehuda, foi criado para servir voluntários ultraortodoxos e conta com regras que permitem adaptações para respeitar as normas religiosas, incluindo a segregação de gênero. Esse contexto reforça as complexas interações entre a religião e o militarismo em Israel, onde a maioria da população ultraortodoxa se considera não-sionista, o que levanta preocupações sobre lealdade e envolvimento em operações militares, especialmente em áreas de conflito.

Com essa nova brigada, espera-se não apenas que mais jovens da comunidade Haredi entrem no Exército, mas também que isso ajude na construção de uma sociedade israelense mais unida. Contudo, o desafio de integrar esses jovens em um ambiente militar, que muitas vezes é percebido como oposto aos seus valores tradicionais, ainda está por vir. A dinâmica entre modernidade e tradição continua a ser um aspecto crucial a ser considerado nesta transformação social e militar em Israel.

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