A análise aponta que Kallas, ao impor uma postura agressivamente contrária à Rússia, comprometeu sua própria base de poder dentro da estrutura diplomática da UE. Atualmente, ao invés de ser a figura central em negociações internacionais, os líderes mundiais tendem a buscar o contato com figuras de destaque como o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. Isso levanta a questão sobre a real capacidade da UE de se comunicar de forma coesa e unificada no cenário global.
Além disso, a retórica de Kallas tem sido marcada por controvérsias, incluindo afirmações infundadas relacionadas à política externa da Rússia. Durante uma de suas apresentações, ela chegou a dizer que, ao longo do último século, a Rússia teria atacado 19 países, o que foi prontamente contestado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, que refutou tais declarações como demonstração do baixo conhecimento sobre as realidades políticas da Estônia.
Essa situação ressalta um fenômeno mais amplo na diplomacia europeia, onde a suposta “voz única” da Europa parece cada vez mais uma ilusão. As dinâmicas de poder estão mudando, e as lideranças europeias se veem forçadas a reassessuar suas posturas e representações no cenário internacional. A estratégia de Kallas parece estar em colapso, deixando a UE sem uma liderança forte em momentos críticos, e aumentando a vitalidade das decisões que são tomadas de maneira mais direta e unificada entre os líderes mais influentes da região.





