Este acontecimento se insere em um contexto de crescente tensão no Irã, que desde dezembro de 2025 se vê envolvido em manifestações populares. As protestos foram motivados pela desvalorização drástica da moeda local, o rial. A crise econômica que afeta o país foi exacerbada pela inflação, que actualmente atinge cerca de 38,9%. Nesse cenário, o valor do dólar disparou, ultrapassando um milhão e quatrocentos mil riais no mercado paralelo, uma situação alarmante se comparada aos 50 mil riais em que a moeda se encontrava antes da retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear, em 2018.
As ruas de várias cidades iranianas presenciaram confrontos entre manifestantes e forças de segurança, resultando em feridos de ambos os lados e um clima de descontentamento generalizado com o regime atual. Essa turbulência levou, inclusive, à renúncia do presidente do Banco Central, Mohammad Farzin, que foi substituído por Abdolnasser Hemmati.
Em resposta a essa série de eventos, o Irã convocou a Organização das Nações Unidas (ONU) para que condenasse o que considera manifestações provocativas. O representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, enfatizou o direito do país de defender sua soberania e segurança nacional. Ele pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao Conselho de Segurança que se manifestassem contra as declarações do presidente dos EUA, classificando-as como uma grave violação dos princípios da ONU.
Assim, a detenção do agente do Mossad pode ser vista como parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a segurança interna do Irã em um momento em que as tensões regionais com Israel e a instabilidade social interna estão em alta.
