Investimento Japonês nos EUA Coloca em Xeque Produtividade Doméstica, Adverte Executivo de Tóquio

Recentemente, Yoshimitsu Kobayashi, presidente do Japan Productivity Center, expressou preocupações acerca do crescente fluxo de investimentos japoneses nos Estados Unidos. Em uma declaração feita à mídia britânica, ele classificou esses investimentos como potencialmente “infinitos” e acentuou que a sustentabilidade desse capital financeiro é questionável, especialmente considerando a atual estagnação da produtividade no Japão.

As empresas do Japão têm expandido suas operações no mercado norte-americano, uma dinâmica que, segundo Kobayashi, pode ser interpretada como uma resposta às pressões do governo dos EUA, especialmente sob a administração de Donald Trump. O Japão recentemente aprovou um fundo de impressionantes US$ 550 bilhões, destinado a financiar infraestrutura nos EUA. Essa iniciativa, embora se mostre vantajosa para a expansão das empresas japonesas, levanta sérias dúvidas sobre o custo para a economia interna do Japão. Durante a entrevista, Kobayashi notou que essa realidade apresenta um dilema: enquanto se busca incrementar o investimento no exterior, a economia local sofre com um fraco investimento e está em um período de baixa renovação desde a crise de 2008.

Kobayashi também criticou a estrutura do fundo, que permite aos Estados Unidos uma fatia de 90% dos lucros após a recuperação do aporte japonês. Essa configuração tem suscitado receios sobre o controle que Washington poderá ter sobre as escolhas dos projetos financiados, que incluem usinas nucleares e de gás, orçadas em até US$ 109 bilhões.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, lançou um plano ambicioso para aumentar a produtividade do trabalho em 15% nos próximos cinco anos. No entanto, esse objetivo se vê ameaçado pela diminuição do investimento interno, agravada pelo envelhecimento da população e a necessidade premente de modernização das empresas. O cenário atual mostra que, apesar de estimativas de investimentos futuros na ordem de ¥ 5 trilhões a ¥ 10 trilhões, o executivo vê difíceis as chances de manter tal ritmo de aplicação de recursos indefinidamente. Assim, as trocas entre investimentos estrangeiros e o fortalecimento da economia doméstica tornam-se cada vez mais cruciais na análise da saúde econômica do Japão e sua estratégia frente ao mercado global.

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