Segundo os documentos recebidos pelo Metrópoles, Gimenez é descrito como um “traficante internacional infiltrado na Polícia Civil” e é apontado como líder de um grupo envolvido no desvio e venda de cargas de cocaína e maconha. O policial, que recebia um salário líquido de R$ 8 mil na polícia, teria movimentado o montante milionário por meio de uma de suas empresas ao longo de cinco anos.
A investigação mostra que o esquema coordenado por Cléber Rodrigues Gimenez contava com a participação de um “comprador” de drogas colombiano, que negociava as cargas de drogas e as entregava em São Paulo, onde “gansos” ligados ao investigador se passavam por policiais para apreender as drogas. Essas cargas eram então substituídas por talco, gesso ou outro pó branco e encaminhadas para um galpão no Bom Retiro, pertencente ao investigador.
No galpão, a droga falsa era trocada pela droga real, que era encaminhada para uma delegacia no centro de São Paulo. Lá, o flagrante de tráfico era registrado em boletins de ocorrência por policiais corruptos, que recebiam propina pelo serviço. Um perito criminal também fazia laudos falsos para corroborar a versão de que se tratava de drogas.
O esquema teria rendido pelo menos R$ 50 milhões aos policiais corruptos, envolvendo até mesmo policiais da 1ª Delegacia Seccional do Centro de São Paulo. Para se protegerem, os agentes corruptos incineravam as cargas falsas o mais rápido possível, muitas vezes na Grande São Paulo, para eliminar as evidências de seus crimes.
Além de Gimenez, outros policiais civis, incluindo uma delegada que atua na região central de São Paulo, estão sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil. A denúncia, que revela detalhes assustadores sobre o esquema montado pelo investigador-chefe, levanta questionamentos sobre a integridade e a conduta ética dos agentes da lei em São Paulo. A população aguarda ansiosa por desdobramentos e punições justas para os envolvidos nesse escândalo de proporções gigantescas.
