Uma recente perícia privada contratada pela produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro, não conseguiu elucidar completamente a utilização dos R$ 75 milhões destinados à produção. De acordo com o laudo da perícia, o custo total da obra foi estimado em US$ 13,4 milhões, aproximadamente o mesmo valor em reais.
Esse montante representa 56% dos R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro, ex-proprietário do banco Master, teria prometido transferir para um fundo que capta recursos para o filme. O fundo em questão, conhecido como Havengate Development LP, é administrado por Paulo Calixto, advogado vinculado a Eduardo Bolsonaro, atualmente residindo nos Estados Unidos.
Os resultados da perícia foram incluídos em um inquérito policial que investiga a possível utilização de verbas públicas na produção do filme. A investigação está relacionada a um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment. Com a perícia, a defesa de Karina busca se resguardar frente às investigações, alegando que não houve uso de recursos públicos.
O laudo indica que a maior parte do financiamento, correspondente a US$ 9,6 milhões (cerca de R$ 54,2 milhões), foi utilizada em custos de produção nos Estados Unidos, enquanto US$ 3,7 milhões (aproximadamente R$ 20,9 milhões) foram aplicados em filmagens e outras atividades no Brasil. Até 10 de junho, o Havengate Development LP transferiu R$ 75 milhões para a produção, sendo que a maior parte desse valor foi recebida por meio de uma conta no Banco do Brasil, notavelmente através de transferências via Pix.
No documento, a perícia defende que os recursos financeiros envolvidos têm origem privada, sustentada por contratos de investimento e outros registros financeiros. Entre os gastos identificados no Brasil, constam despesas com a contratação de elenco internacional, cachês, diárias, transporte, cenografia e passagens aéreas.
Contudo, as despesas relativas aos Estados Unidos foram apresentadas de forma genérica, sem o detalhamento adequado de cada fase da produção. Essa falta de apuração minuciosa gerou críticas e incertezas sobre a real destinação dos R$ 75 milhões.
A repercussão do caso levou a Polícia Federal a investigar se os recursos do banqueiro foram utilizados para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Durante uma entrevista recente, Edinho Silva, presidente nacional do PT, avaliou que esse imbróglio pode impactar negativamente o cenário político ao movimento bolsonarista, acentuando o vínculo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
