As suspeitas indicam que as lojas, tanto físicas quanto online, da Sephora omitem informações cruciais ou fornecem dados de forma enganosa sobre os produtos. A AGCM destacou que há uma falta de avisos e advertências claras sobre itens que não são apropriados para menores de idade ou que não foram testados nesse grupo etário. A investigação inclui produtos das linhas Sephora Collection e Benefit Cosmetics, que têm se destacado no mercado.
Por sua vez, as empresas envolvidas informaram que não farão comentários adicionais enquanto a apuração estiver em andamento, mas reafirmaram seu compromisso em colaborar com as autoridades e a conformidade com as normas regulatórias italianas.
Outro ponto alarmante levantado pela AGCM é a utilização de “microinfluenciadores muito jovens” para promover o consumo de cosméticos, o que pode agravar o problema de consumo compulsivo entre crianças. Relatos indicam que pré-adolescentes, especialmente entre 10 e 12 anos, estariam sendo expostos a produtos como máscaras faciais, séruns e, inclusive, cremes antienvelhecimento, todos com potenciais prejuízos à saúde.
A preocupação em torno da saúde infantil e do impacto dos cosméticos no desenvolvimento é crescente. Especialistas, como a professora Laurence Coiffard, da Universidade de Nantes, afirmam que crianças não têm necessidade de cosméticos, exceto para itens de higiene básica, como pasta de dente e protetor solar. Ela ressalta os riscos, já que muitos produtos desenvolvidos para adultos contêm ingredientes que podem afetar o desenvolvimento hormonal e aumentar as chances de reações alérgicas na pele.
Além das questões de saúde, a investigação destaca um debate mais profundo sobre os padrões de beleza exigidos pela sociedade contemporânea. A pesquisadora Molly Hales, da Universidade Northwestern, analisou conteúdos voltados para o público jovem nas redes sociais e constatou que produtos de beleza têm fomentado um ideal estético que normaliza rotinas complexas e onerosas. Estudos recentes demonstram a crescente presença de vídeos no TikTok que divulgam essas práticas, com um foco particular em produtos de alto custo, como cremes antienvelhecimento, o que contribui para a formação de valores distorcidos entre os jovens.
Na quinta-feira, as lojas da Sephora e do grupo LVMH foram alvo de buscas nas operações realizadas na Itália, e a AGCM informou que as investigações poderão culminar em penalidades financeiras para as empresas. A situação acende um alerta sobre o papel das marcas na formação de hábitos consumistas e na promoção de ideais que não condizem com a realidade das crianças.
