Investigação Revela Conexão entre Policiais e Ex-Vereador de SP em Esquema de Segurança Ligado ao PCC

Em uma investigação que apura um suposto envolvimento de policiais militares em um esquema de segurança vinculado a empresários associados ao crime organizado, novos detalhes emergiram sobre a Operação Kratos, realizada na última semana. A análise do caso revela conexões alarmantes entre o grupo de policiais e o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil).

De acordo com um inquérito da Corregedoria da PM, o 3º sargento da reserva, Nereu Aparecido Alves, enviou mensagens que revelam a proximidade do grupo liderado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira e Leite. O ex-vereador, que negou conhecer Nereu, destacou que sua segurança foi sempre realizada pela Assessoria Militar da Câmara e que ele não tinha participação nas escalas dos policiais. Leite reafirmou não ter qualquer ligação com os supostos esquemas de proteção a empresários com vínculos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Corregedoria da PM apreendeu R$ 1 milhão em espécie durante busca na residência de Nereu. O sargento e o capitão foram detidos, junto com outros PMs investigados, incluindo um tenente-coronel, um subtenente, um sargento e um cabo. O vereador Ricardo Teixeira, atual presidente da Câmara, solicitou à Secretaria da Segurança Pública uma avaliação da Assessoria Militar da Câmara, considerando ajustes na equipe em função das investigações.

A mensagem de Nereu, datada de 18 de agosto de 2023, foi armazenada no celular de Cícero de Oliveira, conhecido como Té, proprietário da Transwolff, que está sob investigação por sua relação com o PCC. Na comunicação, Nereu menciona estar ocupado com a inauguração de uma escola em homenagem à mãe de Milton Leite, reforçando sua conexão com o ex-vereador.

Além disso, a investigação revelou que Nereu atuava como braço-direito de Alexandre na execução de contratos de segurança vinculados à Transwolff e que a relação entre ele e Té incluía serviços de segurança pessoal. Mensagens entre os dois indicam uma amizade e um relacionamento de trabalho bastante próximo.

Investigações anteriores já haviam levantado suspeitas sobre a atuação de Milton Leite no contexto da Transwolff. Um pedido de quebra de sigilo bancário foi solicitado em meio às apurações, levantando questionamentos sobre seu papel nos possíveis crimes associados à empresa. Apesar de sua presidência na Câmara e de estar ligado a figuras controversas, Leite continua a sustentar sua inocência e distanciamento do crime organizado.

A situação ressaltou a necessidade de revisão em práticas de proteções institucionais, especialmente em um cenário onde a infiltração de agentes do Estado em estruturas criminosas parece ser uma preocupação crescente. Os desdobramentos dessa operação podem implicar uma revisão sistemática das relações entre segurança pública e interesses privados em São Paulo. A Câmara reforçou que a assessoria de segurança da casa é independente e que nenhuma das prisões efetivadas na Operação Kratos envolve oficiais a serviço contínuo da Câmara Municipal.

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