Em notas divulgadas nos últimos dias, Marcola reconheceu os repasses recebidos da empresária, argumentando que se tratavam de um empréstimo pessoal. Em uma das comunicações, ele detalhou um pagamento de R$ 249 mil a Roberta, mas não esclareceu se esse montante representa o total recebido. A empresária está sob investigação devido a um possível esquema de fraudes no INSS, o que aumenta a atenção sobre suas transações financeiras.
Roberta Luschinger é vista pela Polícia Federal como uma lobista e mantém uma amizade próxima com Fábio Luís Lula da Silva, popularmente conhecido como Lulinha, filho do presidente. O fato de Marcola ter admitido os pagamentos gerou um forte constrangimento no Palácio do Planalto, e membros da campanha de Lula passaram a cobrar uma explicação detalhada do presidente, com a intenção de evitar que a situação se transformasse em um escândalo maior. A percepção é de que qualquer tema relacionado à corrupção ainda pesa negativamente sobre a administração de Lula, levando a um esforço consciente para dissociar a imagem do presidente do caso.
Por meio de nota, Marcola afirmou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para demonstrar que não houve irregularidades em suas transações, insistindo que os valores se restringiam a um empréstimo pessoal; no entanto, não forneceu uma data específica para o mesmo.
Marcola já havia se afastado de suas funções no Palácio do Planalto em julho para se integrar à coordenação da campanha à reeleição de Lula, desempenhando um papel similar ao que teve em 2022, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho. Pessoas próximas relataram que ele decidiu priorizar sua defesa, uma vez que estava sendo alvo de críticas internas.
Marcola, que teve um envolvimento significativo na agenda de Lula durante a última década, foi um dos coordenadores da caravana do presidente em 2017 e mudou-se para Curitiba durante o período em que Lula esteve detido, entre 2018 e 2019. O episódio está sendo explorado pela campanha de Flávio Bolsonaro, principal adversário político de Lula, em um esforço para minar a credibilidade do presidente e vinculá-lo às suspeitas de irregularidades ligadas ao INSS.




