Investigação aberta pela Corregedoria do CNJ sobre a conduta de desembargador que menosprezou gravidez em sessão do TRT

A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma investigação para apurar a conduta do desembargador Georgenor de Sousa Franco Filho, presidente da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 8º Região, localizado em Belém, no Pará. Durante uma sessão ocorrida nesta terça-feira, dia 10, o desembargador afirmou que “gravidez não é doença” ao negar o pedido de adiamento de uma audiência feito pela advogada Suzane Teixeira, que estava em trabalho de parto.

A declaração de Georgenor, que também citou uma frase atribuída a um ex-governador do Pará, gerou indignação e repercutiu negativamente. A desembargadora que estava presente na sessão rebateu afirmando que a gravidez é um direito e não uma doença.

Após a divulgação das declarações, quatro conselheiros apresentaram uma representação formal à Corregedoria do CNJ pedindo a abertura de uma reclamação disciplinar. O objetivo é analisar se o desembargador agiu de forma discriminatória e se houve violação de deveres funcionais da magistratura.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, afirmou que é necessário questionar se as desigualdades de gênero estão presentes no conflito apresentado e ressaltou que o magistrado deve estar atento às desigualdades estruturais que afetam a participação das partes envolvidas, especialmente das mulheres.

Em relação à legislação vigente, a lei nº 13.363/2016, sancionada em 2016, garante direitos e proteção para as advogadas gestantes, incluindo a suspensão de até 30 dias dos prazos processuais durante o trabalho de parto. Neste caso específico, o pedido de adiamento foi feito de acordo com a lei.

No dia seguinte ao ocorrido, o desembargador Georgenor enviou uma nota ao Estadão, reconhecendo a sua atitude como “profundamente indelicada e infeliz” e pedindo desculpas à advogada grávida e a todas as colegas de profissão que possam ter se sentido ofendidas. Ele ressaltou a importância de reconhecer os erros para seguir aprendendo e expressou seu respeito às mulheres profissionais.

A investigação da Corregedoria do CNJ sobre a conduta do desembargador Georgenor pode resultar em medidas disciplinares. Vale ressaltar que as declarações do magistrado levantaram questionamentos sobre a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre as questões de gênero no âmbito do Judiciário e o respeito aos direitos das mulheres.

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