O primeiro trimestre de 2026, até o momento, já contabiliza R$ 48,7 bilhões em investimentos externos, e as projeções indicam que a marca final pode superar todos os resultados desde 2022, quando a bolsa recebeu R$ 65,3 bilhões nos três primeiros meses do ano. O expressivo movimento de dois anos atrás foi impulsionado pela alta nos preços das commodities, em decorrência do conflito entre Ucrânia e Rússia, além de taxas de juros elevadas que permitiam oportunidades de arbitragem em relação a taxas bem mais baixas em mercados desenvolvidos.
Neste ano, as expectativas para novas entradas de capital estão ligadas a avalições atrativas de ações brasileiras, especialmente quando comparadas a seus pares nos Estados Unidos e na média dos países emergentes. Fatores adicionais também contribuem para um ambiente positivo, como o recente afrouxamento monetário iniciado em março e a iminente disputa eleitoral no país.
Fernando Siqueira, analista da Eleven Financial, observa que o fluxo de capitais para o Brasil tem sido impulsionado pela saída de recursos do mercado norte-americano, que enfrenta uma tendência negativa, em meio à valorização das ações e resultados corporativos decepcionantes. Por outro lado, a B3 é considerada uma das bolsas mais descontadas do mundo. Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, reafirma que a atratividade dos valuations e o diferencial de juros no Brasil continuarão a atrair investidores, a menos que a situação no Oriente Médio se agrave.
Daniel Gewehr, do Itaú BBA, prevê que o fluxo externo deve persistir, exceto se o Federal Reserve decidir aumentar os juros devido a pressões inflacionárias, um cenário que, atualmente, não é considerado. Ele destaca que a bolsa brasileira ainda está negociando com um desconto de 5% em relação à média histórica.
Além disso, a possibilidade de um cessar-fogo, que foi discutida recentemente pelos Estados Unidos, poderia reduzir o interesse por ativos considerados menos arriscados, como o dólar e os Treasuries, permitindo uma nova alocação em mercados emergentes, como o Brasil, devido à diminuição do risco global.
Embora a redução da taxa Selic tenha o potencial de diminuir o diferencial em relação às taxas norte-americanas, que estão entre 3,50% e 3,75%, a taxa brasileira ainda permanecerá alta. Durante o último Comitê de Política Monetária, a Selic foi ajustada de 15% para 14,75% ao ano. De acordo com o boletim Focus, a previsão é que essa taxa se aproxime de 12,50% ao final de 2026.
Matheus Spiess, da Empiricus Research, destaca que a resiliência dos investidores estrangeiros em permanecer no Brasil, mesmo em tempos incertos, se deve à atratividade das oportunidades locais. A expectativa de um rali eleitoral também é vista como um fator que pode estimular novos fluxos de capitais, especialmente com a ideia de alternância de poder em 2027, que poderia trazer novos rumos para as contas públicas.
Assim, a atratividade do Brasil como destino de investimentos externos continua em alta, levantando a expectativa de um ano promissor para a B3, marcada por eventos políticos e econômicos que podem influenciar o ambiente de negócios e a confiança dos investidores.





