O primeiro episódio ocorreu na loja Delly Gil, situada na Cobal do Leblon. Uma cliente, buscando o tradicional matzá, o pão característico desta festividade, se deparou com uma resposta hostil de um funcionário. Este declarou, em um tom elevado, que havia decidido não comprar mais produtos judaicos por estar “cansado dos judeus”. O desdobramento gerou indignação e levou a cliente a procurar a gerente do estabelecimento, que prontamente se desculpou pelo ocorrido. Contudo, a loja não se manifestou posteriormente, embora tenha publicado uma nota no Instagram lamentando o episódio. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, incendiando discussões e levando a comunidade judaica a organizar uma campanha de boicote ao local.
Em resposta ao incidente, a Fierj notificou a loja por meio de um comunicado extrajudicial e estabeleceu um prazo de três dias para que a Delly Gil se pronunciasse formalmente. Além disso, um representante da entidade ofereceu apoio à vítima, acompanhando-a até a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para registrar a ocorrência.
Bruno Feigelson, presidente da Fierj, destacou a gravidade das situações, enfatizando que não se tratam de ocorrências isoladas. Ele mencionou que estes episódios ocorreram em tempos de tensão internacional, mas reiterou que justificativas ligadas a conflitos externos não podem servir como desculpa para atos de discriminação.
Um segundo episódio igualmente preocupante teve lugar na Lapa, onde o bar Partisan, autodenominado “ambiente antifascista”, publicou uma mensagem clara em sua porta, afirmando que cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não eram bem-vindos. Essa ação provocou a intervenção do vereador Pedro Duarte, que relatou o caso à Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor. Duarte afirmou ser crucial a rápida reação a esses comportamentos, para que não se normalize a intolerância.
O vereador Flávio Valle também se manifestou em relação ao caso, buscando medidas legais para assegurar que tais práticas de exclusão não se tornem uma norma. Ele se comprometeu a investigar e a registrar a queixa formal na delegacia, ressaltando a inadmissibilidade de um estabelecimento discriminar pessoas com base em sua origem ou crença, mesmo no contexto de 2024. A comunidade, unida, segue vigilante contra qualquer forma de antissemitismo e intolerância.




