INTERNACIONAL – Venezuela solicita à ONU condenação formal da “agressão” dos Estados Unidos e reafirma compromisso com a soberania e estabilidade global após sequestro de Maduro.

A Venezuela, por meio de seu embaixador Samuel Moncada, apresentou um apelo formal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, solicitando uma condenação clara e inequívoca das ações militares dos Estados Unidos em território venezuelano. O pedido se dá em decorrência de um evento ocorrido no último sábado, 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram sequestrados.

Durante uma reunião de emergência realizada na ONU na segunda-feira, 5 de janeiro, Moncada destacou que os acontecimentos do dia 3 representaram uma violação grave da Carta da ONU. Ele enfatizou princípios fundamentais, como a soberania dos Estados e a proibição do uso da força contra a integridade territorial de qualquer nação. O embaixador insistiu que o sequestro de um chefe de Estado ativo contraria a imunidade presidencial, a qual, segundo ele, não é um privilégio individual, mas sim uma proteção da soberania e estabilidade do sistema internacional.

Moncada alertou que deixar tais atos sem a devida condenação implicaria na normalização da substituição do direito pela força, algo que poderia corroer as bases do sistema de segurança coletiva estabelecido pelas Nações Unidas. Ele também fez uma crítica às motivações econômicas que estariam por trás da ofensiva dos EUA, sugerindo que o controle sobre os recursos naturais, especialmente o petróleo, estaria no centro da questão.

Além disso, o embaixador argumentou que a intervenção norte-americana não é apenas um ataque à soberania da Venezuela, mas uma ameaça que pode desestabilizar todo o cenário global. Ele comparou a situação atual a práticas de colonialismo e neocolonialismo, onde a força é utilizada para controlar recursos e impor regimes.

Apesar da gravidade da situação, Moncada ressaltou que as instituições venezuelanas permanecem operando normalmente. Ele afirmou que, com a vice-presidente Delcy Rodríguez assumindo interinamente a presidência, a continuidade constitucional está assegurada. Para o embaixador, a Venezuela permanece comprometida com a diplomacia e o diálogo, defendendo sua soberania sem abrir mão de seus valores fundamentais.

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