INTERNACIONAL – Venezuela inicia diálogo diplomático com EUA após sequestro de Maduro e agressão militar, buscando restabelecer relações rompidas desde 2019.

A Venezuela anunciou um “processo exploratório diplomático” com os Estados Unidos visando o restabelecimento de relações diplomáticas, que foram rompidas em 2019. O chanceler Yván Gil fez a declaração em um comunicado, enfatizando que as conversações abordarão, entre outros assuntos, o que ele definiu como a “agressão e sequestro” do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Essa declaração surge em meio a escaladas nas tensões entre os dois países, marcadas por um recente episódio militar que culminou no sequestro do casal, gerando mais incertezas na dinâmica regional.

No comunicado, as autoridades venezuelanas insistem que a ações dos Estados Unidos constituem uma “agressão criminosa, ilegítima e ilegal” contra o seu território e a sua população, resultando em mais de cem mortes de civis e militares. O governo de Nicolás Maduro considera o sequestro uma violação grave da imunidade dos chefes de Estado e dos princípios do direito internacional. A Venezuela busca retomar o diálogo para discutir essas questões dentro do “marco do direito internacional” e em respeito à sua soberania.

No Brasil, o episódio teve repercussões significativas. Durante uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador do Brasil, Benoni Belli, classificou o sequestro de Maduro como “grave”. Ele alertou que a situação apela a tempos obscuros da história da América Latina. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou ativo nas discussões políticas, mantendo conversas com outros líderes sul-americanos, incluindo o presidente colombiano Gustavo Petro, para abordar a questão. Ambos expressaram preocupação com a violação do direito internacional e ressaltaram que tal uso da força é um precedente perigoso.

Paralelamente, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução que restrige o uso da força militar contra a Venezuela sem autorização do Congresso, buscando limitar as ações do presidente Donald Trump. Em entrevista, Trump mencionou que os Estados Unidos poderiam se apropriar de receitas do petróleo venezuelano, suscetíveis de provocar ainda mais tensões entre as nações.

Esse novo capítulo nas relações entre a Venezuela e os Estados Unidos, inserido em um contexto complexo na América Latina, pode moldar o futuro político da região, levando em conta as interações entre soberania, respeito às leis internacionais e a instabilidade que persiste.

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