INTERNACIONAL – Potências mundiais financiam grupos armados que ameaçam instabilidade política na Síria, alertam especialistas. Novo governo islâmico é temido.

Durante mais de uma década, os diversos grupos armados de oposição na Síria que conseguiram derrubar o regime de Bashar al-Assad, receberam treinamento, armas e financiamento de potências regionais e globais. Países como Qatar, Arábia Saudita, Turquia, Estados Unidos, Israel e membros da União Europeia contribuíram para a formação desses grupos rebeldes, que lutaram contra o governo sírio.

Especialistas em Oriente Médio destacam que a liderança de grupos extremistas islâmicos entre os rebeldes sírios traz o receio de uma possível instauração de uma nova teocracia islâmica no país. Marcelo Buzetto, pós-doutor em Ciências Sociais e especialista em Relações Internacionais, ressalta que a guerra na Síria não foi apenas uma guerra civil convencional, mas sim um conflito internacional envolvendo as principais potências regionais e globais.

Segundo Luiz Alberto Moniz Bandeira em seu livro “A Segunda Guerra-Fria”, milhares de jihadistas foram recrutados em vários países para lutar na Síria, principalmente após a queda de Muammar Gaddafi na Líbia. Esses grupos tinham o objetivo de combater o governo de Bashar al-Assad e estavam sendo apoiados por diversos países, como Turquia, monarquias árabes sunitas, França, Inglaterra e Estados Unidos.

O interesse de várias potências em alimentar a guerra na Síria está relacionado à geopolítica da região. As monarquias sunitas, Israel e potências ocidentais tinham como objetivo isolar o Irã, aliado do governo sírio, e favorecer os chamados Acordos de Abraão, que visavam normalizar as relações dos países árabes com Israel.

Além disso, a Síria estava no centro de uma disputa geopolítica mundial por conta de sua posição estratégica. A construção de um gasoduto para transportar petróleo e gás pelo país teve um papel fundamental no conflito, envolvendo interesses de diferentes potências.

A Turquia, historicamente, se posicionou contra o governo Assad devido à questão dos curdos, temendo o fortalecimento do PKK. O governo de Recep Tayyip Erdogan não queria a formação de um Estado curdo na região, o que poderia ameaçar a estabilidade do país.

Diante da influência de grupos extremistas wahabistas na Síria, há o temor de uma possível instauração de uma teocracia islâmica no país. Os abusos de direitos humanos cometidos pelos rebeldes sírios, incluindo tortura, execuções e prisões arbitrárias, são relatados pela Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU.

Em suma, a guerra na Síria foi marcada por interesses geopolíticos, apoios externos e a presença de grupos extremistas, o que gerou um cenário complexo e de instabilidade na região. O futuro do país ainda é incerto, com a possibilidade de uma nova governança baseada em leis islâmicas e os desafios relacionados aos direitos humanos e à estabilidade política.

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