Os dois candidatos que avançaram para a segunda fase são a conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino. Fujimori obteve 17,18% dos votos, enquanto Sánchez arrecadou 12,03%. Este último, que também foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto sob a acusação de tentativa de golpe de Estado, estava em uma acirrada disputa pelo segundo lugar com Rafael Aliaga, que terminou a contagem com 11,90% dos votos, uma diferença de apenas 21 mil votos.
Mais de 27 milhões de eleitores estavam aptos a votar em um pleito que contou com 35 candidatos. Entretanto, o rumo da apuração das urnas foi interrompido por uma denúncia feita pelo Ministério Público, que pediu uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão contra Sánchez por supostas irregularidades na prestação de contas entre 2018 e 2020, acusações que ele nega veementemente.
O clima de incerteza em torno do processo eleitoral foi acentuado por atrasos em centros de votação, denúncias infundadas de fraude apresentadas por opositores e a renúncia da autoridade eleitoral. Apesar de tais contratempos, missões de observação internacional, como as da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos, relataram não haver evidências que corroborassem essas alegações.
No dia 17, o Jurado Nacional de Eleições (JNE) do Peru fará a proclamação oficial dos resultados. A possibilidade de uma nova votação foi cogitada, mas negada pela autoridade eleitoral. O Peru, com cerca de 34 milhões de habitantes, se destaca como o quarto país mais populoso da América do Sul, tendo uma extensa fronteira com o Brasil.
Fujimori, que já ficou em terceiro lugar nas edições anteriores de 2011, 2016 e 2021, busca anular um histórico de derrotas que reflete a resistência popular à sombra política de seu pai, condenado por violações de direitos humanos. Suas propostas incluem estreitar laços com os Estados Unidos, o que pode afetar investimentos chineses significativos no país.
Por outro lado, Sánchez apresenta uma agenda voltada para a nacionalização de recursos naturais e à convocação de uma nova constituinte. Suas chances estão nebulosas, especialmente com a recente acusação criminal por falsidade nos relatórios de campanha.
O cenário peruano é ainda mais complexo em meio a antigas feridas deixadas pela recente administração de Pedro Castillo, que culminou em tumultos e repressões durante seu governo. Com um histórico de instabilidade e um clima político ameaçador, as próximas semanas serão cruciais para o futuro do Peru.
