Em meio a um cenário global marcado por conflitos, especialmente no Oriente Médio, os participantes da reunião reafirmaram a intenção de preservar o Atlântico Sul como um espaço livre das mazelas da guerra, rivalidades entre potências e disputas geopolíticas não regionais. Ademais, a declaração destaca a importância de manter a região livre da proliferação de armas nucleares e de outros tipos de armamentos de destruição em massa.
Um dos pontos centrais do encontro foi o pedido de retomar as negociações sobre as Ilhas Malvinas entre a Argentina e o Reino Unido, na esperança de encontrar uma solução pacífica e justa. Embora o Reino Unido tenha o controle do arquipélago, a Argentina reivindica a posse do território, alegando ocupação ilegal.
Outro aspecto significativo da declaração é o reconhecimento do impacto histórico da rota transatlântica no tráfico de pessoas escravizadas. Os países membros se comprometeram a intensificar esforços no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial. Embora a Argentina tenha adicionado um adendo ao texto dissociando-se de algumas referências, especialmente às iniciativas da ONU, a questão se manteve em foco entre os participantes.
No que diz respeito ao meio ambiente, a declaração trouxe à tona a necessidade de enfrentar as mudanças climáticas. Os países celebraram a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Belém, destacando iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a implementação do Plano para Acelerar Soluções Climáticas Baseadas nos Oceanos. A entrada em vigor do Tratado do Alto Mar, voltado para a proteção da biodiversidade marinha, também foi saudada como um passo crucial.
Nesse contexto ambiental, o Brasil anunciou a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, que conta com a adesão de Cabo Verde, Guiné Equatorial, República do Congo e São Tomé e Príncipe. Este tratado abrange 39 artigos focados em direitos de exploração de recursos, medidas de prevenção e controle de danos, proteção de ecossistemas, entre outros aspectos fundamentais para a saúde marinha.
Por fim, os participantes da Zopacas também estabeleceram estratégias de cooperação, abordando temas como governança oceânica e defesa e segurança marítimas. Embora as diretrizes não tenham caráter vinculante, incentivam a implementação de ações voluntárias e a busca por financiamentos que possam apoiar as iniciativas acordadas. As discussões e compromissos firmados prometem um futuro de cooperação e desenvolvimento sustentável para a região.






