INTERNACIONAL – ONU deve votar proteção à navegação no Estreito de Ormuz, enquanto tensões entre Irã, EUA e aliados afetam o tráfego marítimo e o preço do petróleo.

Na próxima semana, o Conselho de Segurança da ONU deve deliberar sobre uma resolução proposta pelo Bahrein, que visa proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. Essa proposta pode incluir o uso da força, destacando a crescente tensão na região. A reunião, que contaria com a presença dos quinze membros do conselho, inicialmente estava agendada para esta sexta-feira, mas foi adiada sem que uma nova data tenha sido divulgada.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais significativas do mundo, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e desempenhando um papel crucial no transporte de petróleo e produtos agropecuários. Recentemente, o tráfego marítimo na região enfrentou desafios significativos, especialmente após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que desencadearam um conflito que já dura mais de um mês. O Irã tem exercido controle sobre a passagem de navios, o que resultou na interrupção de embarques que representam cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito global, provocando não apenas escassez, mas também aumento nos preços do petróleo.

Em resposta à situação, o Bahrein, que atualmente ocupa a presidência do Conselho de Segurança, apresentou um esboço de resolução que autoriza “todos os meios defensivos necessários” para a proteção da navegação em Ormuz. No entanto, o texto enfrenta resistência de países como China e Rússia, que já se manifestaram contra a autorização do uso da força. A China, em especial, com seu poder de veto no conselho, é um parceiro estratégico do Irã e tem sido um importador importante do petróleo iraniano.

Para contornar as objeções, o Bahrein fez modificações no esboço original, removendo referências explícitas ao uso obrigatório da força. A versão finalizada da resolução sugere que as medidas podem ser implementadas por um período mínimo de seis meses, a depender da decisão futura do conselho.

Analistas observam que a atual estratégia dos Estados Unidos e de Israel em relação ao Irã pode ter como objetivo a mudança de regime em Teerã, uma manobra que não apenas visa conter a ascensão econômica da China, mas também reforçar a posição hegemônica de Israel no Oriente Médio. A situação continua a ser monitorada de perto, dada sua potencial implicação em relação à estabilidade regional e à segurança global.

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