INTERNACIONAL –

Milhares de Iranianos Realizam Manifestações Pró-Regime em Meio a Onda de Protestos Violentos e Crescente Tensão Internacional

Milhares de cidadãos iranianos se reuniram nas ruas nas datas de 11 e 12 de setembro em demonstrações de apoio ao regime da República Islâmica, enquanto expressavam seu descontentamento com os recentes distúrbios que têm perturbado o país. Relatórios informais indicam que esses distúrbios, que já se estendem desde dezembro do ano passado, resultaram na morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança. Em meio a um contexto de crescente insatisfação popular, o governo iraniano mais uma vez tenta deslegitimar as vozes dissidentes, divulgando imagens de manifestantes armados, que, segundo afirmam, estariam atuando sob as ordens de potências estrangeiras, o que justificaria uma eventual intervenção militar por parte dos Estados Unidos e de Israel.

A complexidade do cenário é analisada por Bruno Lima Rocha, um respeitado jornalista e professor de relações internacionais, que argumenta que o que começou como um protesto legítimo pela alta do custo de vida rapidamente se transformou em um pretexto para uma possível ação militar externa. Rocha enfatiza que a grave situação gerada pelas ameaças de Trump e pela resposta violenta do governo iraniano tem o potencial de isolar ainda mais os protestos, associando-os a uma traição nacional.

Na última edição de sua fala, Trump revelou que as Forças Armadas dos EUA estariam avaliando opções em relação ao Irã e que uma reunião com líderes iranianos deveria ser marcada, emitindo uma mensagem clara de que ações drásticas podem ser consideradas. Em resposta, o governo iraniano não hesitou em convocar embaixadores de países que apoiam os manifestantes para apresentar vídeos de atos violentos, com o objetivo de reforçar a narrativa de que a situação ultrapassa a mera insatisfação civil.

Teerã se posiciona como vítima de um complô internacional, acusando serviços secretos de nações ocidentais, como a CIA e o Mossad, de fomentarem a agitação. Enquanto isso, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, argumenta que manifestações pacíficas são aceitáveis, mas que o que tem ocorrido nos últimos dias ultrapassa esse limite, sendo resultado de ações terroristas externas.

Por outro lado, a raiz dos protestos recentes é atribuída a questões econômicas, especialmente o fim dos subsídios na importação de alimentos, que afetaram diretamente o dia a dia da população, desencadeando um descontentamento crescente. Rocha observa que antes as manifestações eram mais contidas, mas a combinação de repressão, frustrações internas e influências externas intensificou a violência e o tumulto nas ruas.

Desde a Revolução de 1979, o Irã tem perseverado na busca de autonomia econômica e afirma que, enquanto não se submeter à hegemonia ocidental, continuarão sendo alvo de pressões externas. Assim, o país se vê em um ciclo vicioso de tumultos e represálias, em um embate constante entre a soberania nacional e as intervenções externas almejadas por alguns setores do governo global.

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