A complexidade do cenário é analisada por Bruno Lima Rocha, um respeitado jornalista e professor de relações internacionais, que argumenta que o que começou como um protesto legítimo pela alta do custo de vida rapidamente se transformou em um pretexto para uma possível ação militar externa. Rocha enfatiza que a grave situação gerada pelas ameaças de Trump e pela resposta violenta do governo iraniano tem o potencial de isolar ainda mais os protestos, associando-os a uma traição nacional.
Na última edição de sua fala, Trump revelou que as Forças Armadas dos EUA estariam avaliando opções em relação ao Irã e que uma reunião com líderes iranianos deveria ser marcada, emitindo uma mensagem clara de que ações drásticas podem ser consideradas. Em resposta, o governo iraniano não hesitou em convocar embaixadores de países que apoiam os manifestantes para apresentar vídeos de atos violentos, com o objetivo de reforçar a narrativa de que a situação ultrapassa a mera insatisfação civil.
Teerã se posiciona como vítima de um complô internacional, acusando serviços secretos de nações ocidentais, como a CIA e o Mossad, de fomentarem a agitação. Enquanto isso, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, argumenta que manifestações pacíficas são aceitáveis, mas que o que tem ocorrido nos últimos dias ultrapassa esse limite, sendo resultado de ações terroristas externas.
Por outro lado, a raiz dos protestos recentes é atribuída a questões econômicas, especialmente o fim dos subsídios na importação de alimentos, que afetaram diretamente o dia a dia da população, desencadeando um descontentamento crescente. Rocha observa que antes as manifestações eram mais contidas, mas a combinação de repressão, frustrações internas e influências externas intensificou a violência e o tumulto nas ruas.
Desde a Revolução de 1979, o Irã tem perseverado na busca de autonomia econômica e afirma que, enquanto não se submeter à hegemonia ocidental, continuarão sendo alvo de pressões externas. Assim, o país se vê em um ciclo vicioso de tumultos e represálias, em um embate constante entre a soberania nacional e as intervenções externas almejadas por alguns setores do governo global.







